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domingo, 25 de abril de 2010



A RAPOSA DE BARRIGA CHEIA


Uma Raposa estava em jejum já havia mais de um dia.
Fazia muito frio, e todos os outros animais provavelmente permaneciam em casa ou nas suas tocas, no quentinho.
Os galinheiros estavam todos fechados, para que as Galinhas não pegassem friagem e continuassem a botar ovos.
Assim, não era uma boa ocasião para a pobre Raposa procurar alimento. De todo modo, ela não se dava por vencida.
- A fome é horrível
– Repetia para si mesma a Raposa, enquanto esquadrinhava atentamente cada canto da floresta ,
- Por isso nunca me cansarei de procurar, até que alguma coisa salte fora para matar minha fome.
De fato, sua persistência e meticulosa atenção foram premiadas da maneira mais inesperada.
Do oco de um carvalho saía um cheirinho delicioso:
Era um belo pedaço de carne assada com um pão guardados ali por algum pastor.
Como o farejou, a Raposa se enfiou no buraco, esforçando-se um pouco, porque a entrada era um tanto estreita.
Mal se encaixou nessa espécie de nicho começou a comer com voracidade a farta refeição.
No entanto, quando depois de um breve soninho para fazer a digestão procurou sair, fazendo esforços inúteis, suspirou, desolada:
- Estou com a barriga tão cheia que não consigo fazê-la passar por esta abertura.
-Ai de mim!
-O que faço agora?
-Ficarei aqui, prisioneira?
Uma Raposa, sua amiga, que passava sob o carvalho, a ouviu suspirar e quando soube o motivo de seus lamentos, gritou:
- Tenha paciência, fique tranqüila e verá que com o tempo você ficará magra como quando entrou e poderá sair de novo para a liberdade.


Postado por Profa. Maria Tereza



 DÔ MINHOCA


Desde pequena Dô gostava de dormir, e muito.
Bastava esticar o corpo um pouco de lado e ela logo estava dormindo.
Esticada, enrolada de cabeça para cima, cabeça para baixo.
De qualquer jeito Dô embalava um sono que ia até o dia seguinte.
A comunidade das minhocas era bem agitada.
Ocupadas em fazer coisas, cavar buracos e realizar tarefas sem parar.
Dô gostava disso, só que tanto trabalho dava muita fome e depois de comer, logo ia cochilar um pouco...
As minhocas comem de tudo: pedaços de folhas, frutas, raízes, etc.
Dô sabia que este trabalho debaixo da terra criava um ambiente rico em plantas e bichos, um mundo que ela sonhava em conhecer melhor Dô tinha muitos amigos.
Ângulo só andava em linha reta, sempre com pressa.
Espiral vivia enrolado, fazia tudo de trás para frente, e Pincel era pintor.
Dô tinha uma paixão secreta pelo artista e sonhava com ele pintando seu retrato.
Certo dia a terra tremeu.
Uma pá abriu um buraco e um homem apanhou um monte de minhocas e jogou num balde para usar como isca numa pescaria.
As minhocas se remexiam tentando fugir e Dô também ficou presa ali.
Dô foi parar num anzol e levou um choque com a água gelada.
Foi engolida pelo peixe e na barriga dele estava tão quentinho que ela acabou dormindo.
Não viu nem o peixe ser pescado pelo homem e ser limpo e colocado numa panela.
Um gato miando chamou a atenção da cozinheira.
Como havia muitos peixes ela acabou dando um para o bichano esfomeado.
Dô tinha acabado de acordar e então viu a boca do gato carregando o peixe feliz da vida .
O cachorro já esperava o gato para atacar e os dois ficaram correndo em volta da casa.
Quando ia ser pego o felino deu um salto e pulou para uma janela em que o cão não alcançava.
Ficou latindo e rosnando até cansar.
O gato teve paciência e esperou ficar tudo calmo antes de sair para comer sua refeição.
Mas antes de pular para o chão Dô Minhoca saiu da boca do peixe e olhou com curiosidade para aquelas novas paisagens.
Dô olhou o sol vermelho descer e depois a lua prateada subir devagar.
Até perdeu o sono e passou a noite acordada querendo entrar naqueles buraquinhos de estrelas.
Nunca imaginou que o mundo podia ser tão grande.
De manhã Dô foi pega por um pássaro que procurava alimento.
Ele voou alto e Dô se debateu muito.
Seu rabo acabou batendo no olho do pássaro, que a soltou.
Ela caiu lá de cima sobre a grama fofa sem se machucar.
Ao encontrar um Caracol que usava uma concha como casa, Dô gostou da idéia e fez o mesmo.
Mas acabou achando que assim andava muito devagar e resolveu voltar sua vida de minhoca e ver se encontrava o caminho do minhoqueiro.
Dô cavou, revirou mas não achou o caminho de casa.
Já estava desistindo quando Ângulo apareceu dizendo que estavam todos preocupados.
Dô ficou aliviada e feliz ao saber que haviam preparado uma grande surpresa para ela.
Em casa, Dô encontrou os amigos na exposição de quadros de Pincel.
E o que estava fazendo mais sucesso era o retrato dela!
Seu coração de minhoca disparou e ela desmaiou de cansaço e felicidade.
Agora Dô queria mesmo dormir, sonhar e acordar de verdade.

Postado por Profa. Maria Tereza







COMO O SOL E A LUA FORAM MORAR NO CÉU.
JÁ TEM MUITO TEMPO QUE ESSA HISTÓRIA ACONTECEU. TANTO TEMPO QUE O SOL E A LUA AINDA MORAVAM NA TERRA.
UM DIA, SOL E LUA ACORDARAM COM TANTA SEDE QUE RESOLVERAM VISITAR SEUS VIZINHOS.
OS PÁSSAROS SELVAGENS, POIS ELES COSTUMAVAM GUARDAR ÁGUA DE BEBER EM GRANDES E PESADOS POTES.
SÓ QUE AO CHEGAREM NA CASA DOS PÁSSAROS, SOL E LUA FORAM PROIBIDOS DE BEBER ÁGUA. DESOBEDECENDO, SOL PEGOU UM POTE PARA LEVÁ-LO ATÉ A BOCA.
E, ASSIM, MATAR A SUA SEDE.
AÍ O DESASTRE ACONTECEU; O POTE ESCORREGOU DE SUAS MÃOS, QUEBROU E TODA A ÁGUA SE PERDEU.
OS PÁSSAROS FICARAM MUITO BRAVOS E SAIRAM CORRENDO ATRÁS DO SOL E DA LUA...
QUE FUGIRAM PARA SE ESCONDEREM NUMA CABANA NO MEIO DO MATO.
MAS DE NADA ADIANTOU, FORAM DESCOBERTOS FOI AÍ, ENTÃO, QUE O PIOR ACONTECEU: SOL FICOU QUENTE DEMAIS DE RAIVA.
OS PÁSSAROS NÃO AGÜENTARAM TODO AQUELE CALOR E COMEÇARAM TODOS JUNTOS A ABANAR SUAS ASAS CADA VEZ MAIS,... FAZENDO UM VENTO TÃO FORTE QUE FOI CAPAZ DE LEVANTAR SOL E LUA ATÉ O CÉU.
E NUNCA MAIS SOL E LUA DESCERAM LÁ DE CIMA

Postado por Profa. Maria Tereza

  






O BARQUINHO ENJOADO


Era uma vez um barquinho muito, muito infeliz.
Vivia embrulhado,Tinha enjoo do balanço do mar.
Era só começar a navegar e ele a passar mal, a marear.
Os peixinhos riam dele e, para piorar a situação, ficavam indo e vindo à sua frente, de pura molecagem, aumentando a aflição.
— Quem mandou nascer barquinho?
— Brincava uma gaivota.
— Mas eu não nasci assim, sua boboca!
Por que não me deixaram ser árvore a vida inteira, parada num só lugar, sem este vai-e-volta, sem este vem-e-vai?
— Reclamava o pobrezinho
— Puxa vida... ai, ai, ai!
Seu dono, um velho pescador, nem notava o problema do coitado.
Todo dia, de manhã cedo, saía atrás de peixe, sem domingo nem feriado.
Não tinha folga o barco enjoado.
Mas um belo dia, tudo mudou!
Todo contente, o pescador apareceu com um barco bem novinho.
Era amarelo e cor de vinho.
E o outro se aposentou.
Desde este dia, quanta alegria!
Não precisa mais ir para o mar, nem marear.
Fica na areia, tomando sol numa boa, olhando de longe a pescaria.
No barco enjoado o velho escreveu “peixe fresco todo dia” para atrair a freguesia.
Esta sim era a vida que ele queria!
Esta história foi retirado deste site http://www.divertudo.com.br/historias.


Postado por Profa. Maria Tereza






A CASA QUE CHORAVA.

João Fernando fazia sua primeira excursão com o grupo de escoteiros mirins de sua escola.
Eram, para ele, emocionantes todas as etapas do evento: as aulas de ciências naturais, as refeições ao ar livre, as caminhadas; as noites dormidas em barracas e a proximidade com a paisagem campestre o fascinavam.
Tudo para ele era novidade.
De vez em quando, sentia saudade de seus pais Maria Helena e Fabrício e de suas irmãs Maria Cristina e Maria Inês; a estas duas havia prometido levar alguma lembrança quando voltasse.
Por esse motivo, ia olhando tudo ao seu redor, para ver se algo agradaria às duas meninas.
E foi assim que, sem se dar conta, João Fernando afastou-se do grupo. Em dado momento, deparou-se com uma casa velha, abandonada; estava vazia e suja; janelas e portas escancaradas.
Aproximou-se,bateu palmas,expiou; ali não morava ninguém e talvez há muito tempo, apoiou o braço na janela, limpou o pó com a mão e falou para si mesmo:
Não é ruim, deveria até ter sido boa; se a limpássemos, poderia servir para tomarmos aqui nossa refeição!
Passou levemente a mão sobre a parede e notou que estava molhada; olhou com mais atenção e imaginou serem lágrimas o líquido que escorria em forma de gotinhas.
Pobre casa abandonada, disse ele, quem teria feito isso? E ouviu uma resposta:
__Foi a minha dona, há muitos anos; uns treze, você nem havia nascido! João Fernando, julgando ser uma brincadeira de algum dos escoteiros, olhou para todos os lados e constatou que estava só. E a voz prosseguiu: __ Pobrezinha de minha dona, ela me cuidava tanto!...
Estas janelas, que você vê empoeiradas e carcomidas, traziam alvas cortinas que balançavam ao vento, deixando penetrar os raios do Sol durante o dia e, permitindo à noite, que a lua espiasse a singeleza daquela que para aqui veio ainda criança!
Eu era branca e perfumada pelas flores do jardim que ela cultivava e emoldurada por um belo pomar que ela plantou!
Havia pássaros no abacateiro e as flores das laranjeiras atraiam borboletas de cores variadas!
Ela era alegre e feliz e enquanto costurava sentada junto à janela, seu canto fazia inveja aos rouxinóis!
Fez uma pausa, suspirou e prosseguiu: era uma ternura a minha patroazinha: frágil, meiga...Ah, que saudade tenho dela!
Não a culpo por ter me deixado só!
Sim, porque seus pais morreram e ela se foi para a cidade morar com os tios; eles não queriam que ela vivesse só!
João Fernando estava admirado; era mesmo a velha casa que falava e eram lágrimas, sim, lágrimas o que estava molhando sua mão apoiada na janela.
A casa abandonada soluçou. Pobrezinha!, disse o menino, como eu gostaria de trazê-la de novo para você; mas, não posso, não posso! __Ninguém pode, respondeu a velha casa, e assim, eu me tornei uma sombra do passado; hoje sirvo de abrigo a bêbados e vadios!
Até o pomar está todo caído, sumido dentro do mato; os passarinhos se foram; só resta mesmo a saudade!
__Vou falar com o instrutor, disse João Fernando, poderemos limpá-la e torná-la um pouco mais agradável! Não demoro! Até logo, casinha amiga!
O garoto falou ao instrutor sobre a sua descoberta, mas nunca falaria sobre sua conversa com a velha casa; diriam que estava louco!
Quem já ouviu casa falar?
O instrutor gostou da idéia e, naquele dia, limparam a casa, o melhor que puderam; colocaram ali suas esteiras, jantaram e dormiram na velha casa, aquela noite e nas noites subsequentes.
Nosso pequeno escoteiro notou que, enquanto ocupavam a casa, ela não chorava; parecia ter esquecido, por um pouco, sua grande mágoa.
O grupo de escoteiros capinou o pomar e, com estacas, levantou os pés de frutas e fez, de modo geral, uma grande faxina.
Chegou a hora da partida e João Fernando, de propósito, deixou-se ficar um pouco para traz do grupo, para se despedir da velha casa.
Volte sempre meu amigo, disse ela, não se esqueça de mim!
E, novamente, as gotinhas escorreram pelas paredes da casinha,João Fernando molhou os dedos naquelas lágrimas e estendo a mão, prometeu:
__Não a esquecerei, palavra de escoteiro!
E o nosso pequeno escoteiro não acabava mais de narrar, aos pais e às irmãs, tudo o que havia visto e aprendido.
Depois, dedicou-se a convencê-los a irem conhecer o maravilhoso achado, onde poderiam construir a casa de campo que estavam planejando.
Tanto insistiu, que num fim de semana, lá se foi a família, a conhecer o sítio onde o garoto acampara.
Antes de partirem, o menino, que não conseguia mais guardar segredo, contou à mãe sobre a sua conversa com a velha casa.
__Mamãe, disse ele, você acredita que estou louco; casas não falam, não é mesmo?
Maria Helena estava pensativa, mas procurou tranqüilizar o filho:
Não se preocupe, meu filho, aos onze anos, costumamos sonhar e sonhos tão bonitos que podem parecer realidade!
Ele sabia que não era sonho, mas pediu à mãe que nada dissesse a seu pai.
Ao chegarem ao local, João Fernando puxou a mãe pelo braço, fazendo-a correr com ele, na frente do pai e das irmãs; queria que ela fosse a primeira a conhecer a casa que chorava.
E a velha casa estava a verter lágrimas por toda a fachada.
João Fernando parou admirado, enquanto Maria Helena se aproximou e beijou delicadamente os batentes da porta e da janela, enquanto o filho a ouvia conversar com uma velha e conhecida amiga: Meu velho lar querido, meu amado e antigo lar, eu sabia que um dia voltaria para você; agora nunca mais a deixarei, nunca! nunca! João Fernando abraçou-se à mãe. Mamãe!
Era você então, a amada dona desta velha casa?
É você por quem ela chora e por quem espera?
Sim, filho, você já sabe; deve ficar entre nós! Perceberam, então, que a velha casa já não mais chorava; estava feliz.
Maria Helena e Fabrício construíram ali uma bela casa, conservando a velha casinha que fora restaurada e embelezada ainda mais que outrora. Era lá que Maria Helena fazia seus trabalhos de agulhas e onde as crianças estudavam e brincavam.
Quem passa hoje em dia pela estrada, de longe pode ver as brancas cortinas nas janelas balançando ao vento e, à noite, a lua entrando novamente pelas frestas.
As flores e os pássaros são o seu mais belo adorno.
As laranjeiras novamente florescem, exalando seu perfume; o abacateiro reergueu-se e todo ano enche-se de frutos.


Postado por Profa. Maria Tereza








sábado, 24 de abril de 2010

Duas Fábulas para Crianças e Adultos


Dora Incontri
Pós-doutoranda FEUSP
Apoio Fapesp



As fábulas, os mitos, as parábolas são fecundos para impregnar de impressões positivas e provocar reflexões nas crianças (e nos adultos), numa proposta de educação para a Ética. Mas como qualquer recurso para despertar uma discussão e deixar uma semente de valor ou de idéia, devem ser contextualizados e trabalhados interdisciplinarmente.
Como exemplo, duas fábulas que foram originalmente concebidas por Esopo, transformadas em poesia por La Fontaine, e aqui estão traduzidas de forma simples e agradável para as crianças. As fábulas têm essa vitalidade permanente e atemporal, que está acima das idades e das épocas, mas para que se enraízem no coração das crianças, devem ser contadas, recontadas, discutidas, analisadas, declamadas, dramatizadas, desenhadas e recriadas, de modo que renasçam a cada instante em suas palavras e produções.
Costumo trabalhar essas fábulas, contando quem foi Esopo, falando então da Grécia Antiga, contando quem foi La Fontaine, fazendo pesquisas, mostrando figuras e olhando mapas, para identificar a França e a época desse autor e, por fim, propondo questões e produções, para que as crianças fixem na alma o que elas querem dizer.

O avarento que perdeu seu tesouro

Dinheiro só tem valor
se o usamos sabiamente.
Que adianta, tendo dinheiro,
viver miseravelmente?

A pessoa com mania
de só guardar e guardar,
é tão pobre quanto a outra
que não tem o que gastar.

Na verdade, o avarento,
de rico, vira mendigo,
como na história de Esopo,
que exemplifica o que digo.

Um infeliz avarento
o seu tesouro escondia,
não possuía seu ouro,
o ouro é que o possuía.

Cavou um buraco fundo
e enterrou todo o dinheiro
e, com ele, guardou junto
o seu coração inteiro.

Pensava nesta fortuna,
dia e noite, noite e dia,
comendo, bebendo, andando
a mente prá lá fugia.

E tanto foi ao lugar,
onde escondia o tesouro,
que um coveiro percebeu,
cavou e levou o ouro.

Noutro dia, o avarento
achou a cova vazia
e entre lágrimas, suspiros,
gritava, arfava, gemia.

Um passante quis saber
o motivo de tal choro.
O avarento respondeu:
– Roubaram o meu tesouro.

Ué! –Tornou o passante
Pois não há nenhuma guerra,
por que escondê-lo longe,
embaixo de tanta terra?

Não era melhor guardá-lo
com você, no próprio quarto,
usando a todo o momento
deste dinheiro tão farto?

– A todo momento?! Ó deuses!
Gritou o nosso pão-duro –
Nunca toquei no tesouro,
estava aqui, bem seguro!

O passante disse então:
– Se o ouro a nada servia,
guarde uma pedra na cova,
será de igual serventia!


O Leão e o Rato

É bom sempre que se possa
a todo mundo ajudar,
pois mesmo dos pequeninos
poderemos precisar!

Desta verdade bem certa
esta história vai falar,
mostrando como ela vale
em qualquer tempo ou lugar!

Um dia, um pobre ratinho
se viu aterrorizado
entre as patas de um leão…
E achou: “serei devorado”.

Mas neste dia o leão
generoso, deu-lhe a vida,
deixou o rato ir embora
sem dele fazer comida!

Esta bondade leonina
o rato iria pagar!
Mas um leão poderia
de um ratinho precisar?

Pois foi o que aconteceu:
um belo dia o leão
foi preso por grossa rede,
rugindo em grande aflição!

Senhor rato o socorreu
usando o pequeno dente,
paciente roeu a rede
livrando o leão valente!

Assim, pequenino e fraco
pagou o seu benfeitor.
Mostrou que a força não vale
tanto quanto vale o amor!



O que é filosofia?

Dora Incontri

O que é filosofia?
Perguntam todos perplexos.
Será um monte de livros,
Com discursos desconexos?

Será um bicho difícil,
que pode nos devorar,
se não formos muito espertos,
para a resposta encontrar?

Na filosofia mesmo,
nada deve ser complexo,
podemos fazê-la fácil,
numa lógica com nexo.

Filosofia é uma forma
de perguntar as questões,
que mais afligem o homem,
que mais nos dão comichões.

É perguntar sobre a vida
querer saber sobre a morte,
é um olhar para o universo
é um indagar sobre a sorte…

Filosofia faz parte
da vida de cada dia
porque pergunta os porquês
que a nossa razão afia.

Filósofo é qualquer um
que pára à beira da estrada
para pensar sobre as coisas
e ver que não sabe nada.

Filósofo deve ser
quem não quiser vegetar,
passando a vida sem rumo
sem um sentido encontrar.

Portanto filosofemos,
buscando sabedoria,
pois num bom filosofar,
teremos mais harmonia.

domingo, 14 de março de 2010

A fábula do rei e suas 4 esposas

Era uma vez... um rei que tinha 4 esposas.

Ele amava a 4ª esposa demais, e vivia dando-lhe lindos presentes, jóias e roupas caras. Ele dava-lhe de tudo e sempre do melhor.

Ele também amava muito sua 3ª esposa e gostava de exibi-la aos reinados vizinhos.

Contudo, ele tinha medo que um dia, ela o deixasse por outro rei.

Ele também amava sua 2ª esposa.

Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele, com amabilidade e paciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela para atravessar esses tempos de dificuldade.

A 1ª esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo que estava ao seu alcance para manter o rei muito rico e poderoso, ele e o reino.

Mas, ele não amava a 1ª esposa, e apesar dela o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.

Um dia, o rei caiu doente e percebeu que seu fim estava próximo.

Ele pensou em toda a luxúria da sua vida e ponderou: É, agora eu tenho 4 esposas comigo, mas quando eu morrer, com quantas poderei contar?

Então, ele perguntou à 4ª esposa:

Eu te amei tanto, querida, te cobri das mais finas roupas e jóias. Mostrei o quanto eu te amava cuidando bem de você. Agora que eu estou morrendo, você é capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho?

De jeito nenhum! respondeu a 4ª esposa, e saiu do quarto sem sequer olhar para trás.

A resposta que ela deu cortou o coração do rei como se fosse uma faca afiada.

Tristemente, o rei então perguntou para a 3ª esposa:

Eu também te amei tanto a vida inteira. Agora que eu estou morrendo, você é capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho?

Não!!!, respondeu a 3ª esposa.

A vida é boa demais!!! Quando você morrer, eu vou é casar de novo.

O coração do rei sangrou e gelou de tanta dor.

Ele perguntou então à 2ª esposa:

Eu sempre recorri a você quando precisei de ajuda, e você sempre esteve ao meu lado. Quando eu morrer, você será capaz de morrer comigo, para me fazer companhia?

Sinto muito, mas desta vez eu não posso fazer o que você me pede! respondeu a 2ª esposa.

O máximo que eu posso fazer é enterrar você! Essa resposta veio como um trovão na cabeça do rei, e mais uma vez ele ficou arrasado.

Daí, então, uma voz se fez ouvir:

Eu partirei com você e o seguirei por onde você for... O rei levantou os olhos e lá estava a sua 1ª esposa, tão magrinha, tão mal nutrida, tão sofrida...

Com o coração partido, o rei falou:

Eu deveria ter cuidado muito melhor de você enquanto eu ainda podia...

Na verdade, nós todos temos 4 esposas nas nossas vidas...

Nossa 4ª esposa é o nosso corpo.

Apesar de todos os esforços que fazemos para mantê-lo saudável e bonito, ele nos deixará quando morrermos...

Nossa 3ª esposa são as nossas posses, as nossas propriedades, as nossas riquezas. Quando morremos, tudo isso vai para os outros.

Nossa 2ª esposa são nossa família e nossos amigos. Apesar de nos amarem muito e estarem sempre nos apoiando, o máximo que eles podem fazer é nos enterrar...

E nossa 1ª esposa é a nossa ALMA, muitas vezes deixada de lado por perseguirmos, durante a vida toda, a Riqueza, o Poder e os Prazeres do nosso Ego...

Apesar de tudo, nossa Alma é a única coisa que sempre irá conosco, não importa aonde formos...

Então...

Cultive...

Fortaleça...

Bendiga...

Enobreça...

sua Alma agora!!!

É o maior presente que você pode dar ao mundo...

e a si mesmo.

Deixe-a brilhar!!!


O sonho dos ratos


Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do soalho de uma velha casa. Havia ratos de todos os tipos, grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, do campo e da cidade. Mas ninguém ligava às diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: Um Queijo Enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo, era a suprema felicidade. Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava muito longe, porque entre ele e os ratos estava um gato. O gato era malvado, tinha os dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes, fingia dormir, mas bastava que um ratinho, mais corajoso, se aventurasse para fora do buraco, para que o gato desse um pulo e… era uma vez um ratinho!
Os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum tornava-os cúmplices de um mesmo desejo: A Morte do Gato!

Como nada podiam fazer, reuniam-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem…), e chegaram mesmo a escrever livros com crítica filosófica sobre gatos.
Diziam que, um dia chegaria, em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais.”Quando se estabelecer a ditadura dos ratos”, diziam, “então todos seriam felizes”…
- O queijo é grande o bastante para todos, diziam uns.
- Socializaremos o queijo, diziam outros.
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bom quando o gato morresse, sonhavam eles. Nos seus sonhos, comiam o queijo e quanto mais o comiam, mais ele crescia. porque essa era a principal característica dos queijos imaginados… Não diminuem…crescem sempre! E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: ” Ao queijo, já!”…
Sem que ninguém pudesse explicar como, o facto é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha desaparecido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar apenas uns passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era! O gato tinha desaparecido mesmo.
Chegara o dia glorioso! E dos ratos surgira um brado retumbante de alegria. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. E foi então que a transformação aconteceu!
Bastou a primeira mordidela. Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem. Assim, quanto maior for o número de ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Os ratos começaram a olhar uns para os outros, como se de inimigos se tratassem. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram…Arreganharam os dentes…Esqueceram-se do gato. Passaram a ser os seus próprios inimigos.
A luta começou! Os mais fortes expulsaram os mais fracos, à dentada. E, acto contínuo, começaram a lutar entre si. Alguns ameaçaram chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a Ordem. O Projecto de Socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:
“Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários, para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”. Mas, como jamais rato algum abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar à espera…Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que tinha acontecido. O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o estilo do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra…
Os ratos magros não conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo o Rato que fica Dono de Queijo torna-se Gato! Não é por acaso que os nomes são tão parecidos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A escolha do Rei Arthur

A escolha do Rei Arthur
O jovem Rei Arthur foi surpreendido pelo monarca do reino vizinho enquanto caçava furtivamente num bosque. O Rei poderia tê-lo matado no ato, pois era o castigo para quem violasse as leis da propriedade, contudo se comoveu ante a juventude e a simpatia de Arthur e lhe ofereceu a liberdade, desde que no prazo de um ano trouxesse a resposta a uma pergunta difícil.
A pergunta era: O que querem as mulheres? Semelhante pergunta deixaria perplexo até o mais sábio, e ao jovem Arthur lhe pareceu impossível de respondê-la.
Contudo aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou a interrogar as pessoas: a princesa, a rainha, as prostitutas, os monges, os sábios, o bobo da corte, em suma, a todos e ninguém soube dar uma resposta convincente.
Porém todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços.
Chegou o último dia do ano acordado e Arthur não teve mais remédio senão recorrer a feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição: primeiro aceitaria o preço. Ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da mesa redonda e o mais intimo amigo do Rei Arthur!
O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos... nunca havia topado com uma criatura tão repugnante.
Acovardou-se diante da perspectiva de pedir a um amigo de toda a sua vida para assumir essa carga terrível.
Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda.
Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: O que realmente as mulheres querem é Serem Soberanas de suas próprias vidas!!
Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo.
Assim foi, ao ouvir a resposta, o monarca vizinho lhe devolveu a liberdade. Porém que bodas tristes foram aquelas.....toda a corte assistiu e ninguém sentiu mais desgarrado entre o alívio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain, se mostrou cortês, gentil e respeitoso.
A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso. Chegou a noite de núpcias.
Quando Gawain, já preparado para ir para a cama, aguardava sua esposa, ela apareceu como a mais linda e charmosa mulher que um homem poderia imaginar! Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido.
A jovem lhe respondeu com um sorriso doce, que como havia sido cortês com ela, a metade do tempo se apresentaria horrível e outra metade com o aspecto de uma linda donzela.
Então ela lhe perguntou qual ele preferiria para o dia e qual para a noite. Que pergunta cruel...Gawain se apressou em fazer cálculos...
Poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e a noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa ou quem sabe ter de dia uma bruxa e uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal.
Vocês, o que teriam preferido? ... O que teriam escolhido?????A escolha que fez Gawain está, mais adiante, porém, antes tome a sua decisão. ATENÇÃO É MUITO IMPORTANTE QUE VOCÊ SEJA SINCERO.
O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser SOBERANA DE SUA PRÓPRIA VIDA.
MORAL DA HISTÓRIA... Não importa se a mulher é bonita ou feia ... no fundo ela é sempre uma bruxa ou uma fada... ela se transformará de acordo com a forma que você a tratar...
A estória mesmo sendo direcionada a mulher, é uma verdade universal, válida a todos os seres vivos. Um desejo comum a todos é o de ser soberano de sua própria vida.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DANIEL NA COVA DOS LEÕES

Daniel já era um homem velho. Seu cabelo e sua barba já eram grisalhos.
E ainda ele morava na terra longínqua da Babilônia. Ali ele era um servo nobre do rei.
Mas Nabucodonosor não era mais rei. Este já estava morto há muito tempo. Agora havia um outro rei, que se chamava Dario.
O rei Dario estimava-o e dizia: "Daniel é o melhor servo de todos. Quero fazê-lo muito mais importante ainda. Vou nomeá-lo vice-rei. Então ele será o chefe de todo o meu reino e de todos os outros servos meus".
Quando os outros servos souberam disso, ficaram com muita inveja.
Eles disseram: "Deverá ele ser o mais importante de todos? Isso não deve acontecer. Nós é que queremos ser os mais importantes. Vamos espreitá-lo bem para ver se Daniel faz alguma coisa errada. E então iremos contar logo ao rei. Então o rei não gostará mais tanto de Daniel".Desde então, todos os dias iam espiar Daniel para ver se ele fazia alguma coisa errada. Mas Daniel não fazia nada de errado. Fazia seu serviço da melhor maneira possível. E orava três vezes por dia.
Quando Daniel orava, ele se ajoelhava em seu quarto, frente à janela aberta. Bem ao longe ficava Jerusalém. Ali estava uma vez o lindo templo, que agora estava queimado. Mas algum dia, o povo de Daniel iria morar lá de novo. E haveria lá também um novo templo, quando o castigo do povo tivesse passado.
Daniel olhava para longe, para lá onde ficava Jerusalém, e orava dizendo: "Senhor, deixa meu povo voltar em breve para sua pátria."
Daniel nunca se esquecia de orar, Isso ele fazia fielmente três vezes por dia. Os outros servos podiam vê-lo. E daí aqueles homens falsos imaginaram um plano para trazer desgraça sobre Daniel e para impedir que ele continuasse a ser o homem mais nobre e importante do país.Eles foram falar com o rei. Inclinaram-se profundamente. Comportaram-se muito corteses e amáveis, e disseram: "Oh rei, nós sabemos uma coisa boa. O senhor sabe o que deve fazer? 0 senhor deve ordenar que todas as pessoas em seu país não peçam mais nada a ninguém, nem a homens e nem Deus, durante um mês inteiro. Somente ao senhor poderão pedir o que quiserem, pois o senhor é o nosso rei poderoso."
Isso agradou bem ao rei. Ele gostou do plano."Sim, isto eu farei", disse ele."E quem for desobediente será castigado com rigor", disseram os homens malvados. "Este deverá ser jogado na grande cova, onde estão os leões.""É, isso mesmo," disse o rei.
Então ele mandou seus empregados passarem pelo país. E estes avisaram o povo por toda parte que ninguém mais devia orar nem devia pedir nada a ninguém, senão ao rei.Todos ouviram esta ordem. Daniel também ouviu. Ele percebeu bem quem tinha imaginado este plano perverso. Foram seus inimigos. Estes queriam sua desgraça.
Que devia fazer Daniel?Deus tinha dito que cada um que o amasse, também devia orar a Ele.Mas o rei ordenou que isso não devia ser, mas que Daniel devia esquecer-se de Deus.A quem Daniel devia obedecer agora?A Deus naturalmente. E por isso Daniel continuava ajoelhando-se, três vezes por dia, frente à janela aberta.
Mas perto da janela estavam seus inimigos, espiando. E quando viram que Daniel assim mesmo orava, correram depressa para contá-lo ao rei."Rei", disseram eles, "o senhor não disse que ninguém devia pedir coisa alguma senão ao senhor, durante um mês?""Sim", respondeu o rei, Isto eu clisse""E se alguém é desobediente, não deve ele ser lançado na cova dos leões?""Sim", disse o rei, "assim deve ser.""Oh rei", exclamaram eles, "então Daniel tem que ser lançado na cova dos leões. Ele foi desobediente. Ele ora a seu Deus, três vezes por clia"
Aí o rei se assustou. Compreendeu como os homens tinham sido falsos."Daniel não", gritou ele, "não, Daniel não!"Mas os homens disseram: "Foi o senhor que deu essa ordem, rei e agora o senhor também tem que fazê-lo."
Sim, era assim mesmo naquela terra: O que o rei tinha dito, isso ele sempre tinha que fazer. Ele queria ajudar a Daniel, mas não podia. E quando anoiteceu, Daniel foi levado para a cova dos leões.
O rei estava bem triste e chamou: "Daniel, eu não posso ajudá-lo, mas espero que seu Deus o ajude."
Então Daniel foi lançado na cova.Chegou a noite, mas o rei não pode dormir. Ele estava muito triste e sempre tinha que pensar em Daniel. Será que seu Deus cuidaria dele?
De manhã, o rei levantou-se bem cedo e foi para fora. Com o coração batendo, chegou à cova dos leões.
"Daniel", chamou ele. "Daniel. Deus cuidou de você?"E de repente, o rei quase deu um salto de alegria. Porque do fundo da cova veio uma voz: "Sim, rei. Deus cuidou de mim. Ele mandou seu anjo, para cuidar que os leões não me fizessem mal algum, porque também eu não fiz nenhum mal."O rei ficou muito contente.
"Tirem-no dali!" gritou ele. "Depressa, tirem Daniel da cova!"Então vieram alguns homens, com uma corda grossa. Desceram a corda na cova e assim puxaram Daniel para cima. E então Daniel estava à frente do rei, vivo e são. Ele tinha passado a noite inteira com os leões ferozes, mas eles não lhe tinham feito nenhum mal.
Que grande milagre foi este! E como estava contente o rei, porque tinha Daniel de volta.Mas então ele se lembrou dos homens malvados que queriam matar Daniel. Mandou seus soldados para buscá-los e então mandou jogá-los também na cova dos leões.
Mas agora não havia nenhum anjo que cuidasse deles. Todos foram comidos pelos leões.Mas Daniel ficou sendo o servo mais importante do rei, sim, o mais nobre em todo o país.E o rei ordenou que todas as pessoas naquela terra servissem ao Deus de Daniel.

O ANEL DE TUCUM

Muita gente (alunos, colegas e até familiares) me pergunta o que significa a "grossa argola" negra que carrego no anular da mão direita. Bom, imaginando que mão e dedo não interferem no significado do anel de tucum (esse é o nome da tal "argola"), costumo responder que se trata de minha opção pelas lutas populares, pelas classes subalternas. Trata-se, pois, de uma aliança popular, de um pacto de honra e determinação por fazer tudo que estiver ao meu alcance, como indivíduo e como ser social, para levar adiante a reivindicação de direitos e a esperança por um mundo realmente humano e fraterno. Na explicação que publico abaixo - encontrada sem autoria nas venturosas páginas da rede mundial de computadores e sensivelmente editada por mim - está a origem histórica e religiosa dos grandes pactos, das grandes alianças... E também alguns emblemas para refletir sobre a força e a importância do anel de tucum , que carrego no dedo e, principlamente, no coração, na ação cotidiana apaixonada...
Eram diversos e variados os rituais para celebrar uma aliança. Os mais simples eram: apertar a mão um do outro, dar um presente, trocar de veste ou de armas. Os mais profundos eram: beber ou misturar o sangue um ao outro, ou imergir a mão numa bacia de sangue; às vezes cortavam-se animais sacrificados e passava-se entre eles (cf Gen 15-17; Jer 38,18). O sentido desse gesto é que os aliados aceitavam a sorte de tais animais, caso quebrassem a aliança ou não cumprissem sua obrigações. Daí o papel importante desempenhado pela aliança tanto na vida privada quanto na vida pública entre os povos que viviam em organização tribal.
Conforme a tradição bíblica, Deus celebrou várias alianças com seu povo ao longo da história, culminando na pessoa de Jesus de Nazaré. Desde então os seus seguidores passaram a falar em antiga e nova aliança. Assim como a antiga aliança foi constituída pelo sangue dos animais sacrificados (Ex 24,8), a nova aliança foi constituida pelo sangue de Jesus Cristo (Heb 9,11-20;10,1-18).
No rastro dessa tradição, renasce o simbolismo da Aliança no Anel de Tucum, extraído de uma palmeira da Amazônia, cheia de espinhos, o símbolo do compromisso e da aliança com as causas dos oprimidos, excluídos e marginalizados - e sua lutas por libertação.
Foi na década de 70 que o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) adotou e divulgou o Anel de Tucum, hoje usado no mundo inteiro por quem assume a luta pelas causas populares, misturando-se com a sorte dos pobres da terra.
Esse símbolo foi bem escolhido, pois assim como é penoso fazer o anel de tucum, também é árdua a luta por dignidade, vida, esperança e paz.
O cantor e compositor Rubinho do Vale possui uma belíssima canção que retrata muitíssimo bem o sentido da aliança expressa pelo anel de tucum. Vejamos a letra de "Canção da Esperança":
A canção da esperança que vou anunciar
Vem como a luz do dia
Vem trazendo a aliança do céu com a terra e o mar
Tudo será harmonia
São notas musicais que o silêncio bonito traduz
Sentimento de paz vem de tempo infinito de luz
Toda a humanidade vai ver que a bondade
Na verdade é um grande dom
Esse tempo novo vai encantar o povo
Na certa quem viver verá que é bom
A canção da esperança que venho anunciar
Na linda luz desse dia
É o caminho da bonança bom pra gente caminhar
No brilho da harmonia
Com amor a justiça e a paz se abraçarão
A felicidade da fraternidade é união
Para ter clareza de toda essa beleza
É preciso abrir o coração
Nessa nova era de nova primavera
O meu canto é uma celebração
Postado por Marco A. Rossi

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A rã e a falta de humildade


Uma rã se perguntava como podia afastar-se do clima frio do inverno. Alguns gansos sugeriram que emigrasse com eles, mas o problema era que a rã não sabia voar.
“Deixe-me pensar” – disse a rã – “tenho uma mente espetacular”.
Logo pediu a dois gansos, que a ajudaram a apanhar um galho forte, cada um sustentando-o por uma extremidade. A rã pensava em segurar-se pela boca.
No devido tempo, os gansos e a rã começaram a travessia. E num determinado momento, passaram por uma pequena aldeia e os habitantes dali saíram para ver o inusitado espetáculo.
Alguém perguntou:
“De quem foi tão brilhante idéia?”
A rã se sentiu tão orgulhosa que exclamou:
“Fui eu!”
Seu orgulho foi sua ruína, porque no momento em que abriu a boca, ela se soltou do galho, caiu no vazio e morreu.
Há ocasiões em que a falta de humildade ou o excesso de orgulho podem fazer cair por terra o plano mais excelente...

A fábula do porco espinho

Durante a era glacial muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e voltaram a morrer congelados, então precisavam fazer uma escolha: ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram...
O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e consegue admirar suas qualidades.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pardal e a águia

O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração. Sentia vontade em voar como a águia, mas não sabia como o fazer. Sentia vontade em ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza... Um dia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiu da sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. Foi quando levou um enorme susto: deparou de uma forma muito repentina com a grande águia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro. Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietude apenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:Por que estás a me vigiar, Andala?Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas?Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho... - O pardal suspirou olhando para o chão... E disse:Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te. E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan.Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente...Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita! - E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente:Andala, apenas mais uma coisa: Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade em teucoração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas, serás livre! Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com tua escolha!
O Pardal e a águiaO sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração. Sentia vontade em voar como a águia, mas não sabia como o fazer. Sentia vontade em ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza... Um dia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiu da sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido. Foi quando levou um enorme susto: deparou de uma forma muito repentina com a grande águia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro. Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietude apenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:Por que estás a me vigiar, Andala?Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas?Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho... - O pardal suspirou olhando para o chão... E disse:Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te. E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan.Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente...Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita! - E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente:Andala, apenas mais uma coisa: Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade em teucoração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas, serás livre! Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles. Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com tua escolha!