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domingo, 26 de setembro de 2010

Resumo das características principais e mais comuns dos temas e estruturas dos referidos contos, histórias ou relatos falados.

CONTOS INFANTIS CURTOS ONLINE

Esta pequena coleção de contos infantis curtos online reúne um conjunto de contos inventados e personalizados para uma adequada preparação de crianças na hora de dormir, na sua maioria baseados em histórias verdadeiras.
Uma primeira observação da análise dos contos infantis curtos é que se incluíram algumas histórias, relatos ou artigos que estavam dispersos pelos livros de ciência e que são para não crianças. Em concreto há um conto de terror, outro de medo e mistério, os contos chineses muito curtos para pensar e uma história verdadeira sobre o conceito de inferno; contudo, não supõem nenhuma ameaça emocional para os meninos e meninas.
A exposição em linha dos contos infantis curtos permite dedicar-lhe a cada um uma página Web com um pequeno comentário ou análise das características, elementos e personagens de cada conto, história ou relato.


 
  1. Uma característica comum a toda a coleção de contos infantis curtos grátis neste livro em linha é conterem relatos ou contos de amor, ainda que nem sempre pareça à primeira vista. O amor é o contexto ou fundo que dá coesão a todas as histórias, à sua interpretação e assimilação, inclusivamente é uma ferramenta necessária para compreender os maus.
    As crianças detectam se os relatos e lendas lhes são contados ou lidos pelas pessoas ou estão reproduzidos noutros meios. Apreciam o esforço e chegam a entender que nem sempre é possível dedicar-lhes todo o tempo que seria desejável.
    A aprendizagem, as experiências e os sentimentos dos meninos e meninas quando ouvem um relato sentirão com mais intensidade esse elemento fundamental que é o amor se estiverem em companhia de seres queridos e se encontrarem a salvo física e emocionalmente.
  2. Contos para dormir

    Os contos curtos ou breves sobre o amor ou com final feliz para bebês e crianças pequenas são ideais para dormir na forma de relatos falados, uma vez que os põem num estado de relaxamento ideal para um repouso agradável e um adequado funcionamento do cérebro infantil neste estado.
    Convém assinalar que nos relatos falados, sobretudo nos contos para ir dormir, inclusivamente nos muito curtos, frequentemente o menino ou menina dormem antes de acabar o conto. Adormeceram num mundo de fantasia no qual provavelmente incorporaram novos elementos ao roteiro.
    A análise do efeito que têm os relatos falados e contos nas crianças antes de dormir é interessante, pois pode chegar a ser totalmente impressionante. Por exemplo, normas que se tentam explicar durante meses e que não se conseguem impor, podem ser aceites por um relato para ir dormir numa só noite, se se despersonaliza a mensagem devidamente ou se se inverte a situação ativa-passiva das personagens em relação à norma exposta e às suas implicações.
    Um elemento importante é que os meninos e meninas tenham a oportunidade de escolher o relato falado ou conto para dormir ou que a sua opinião seja tomada em conta frequentemente. .
  3. Contos infantis curtos

    Ainda que os contos infantis grátis desta coleção em linha sejam muito breves, a extensão do relato falado permite fixar alguns objetivos concretos. Normalmente serão objetivos muito elementares, mas suficientes para os meninos e meninas aos que vão dirigidos.
    São contos para meninos e meninas pequenos, de 2 a 7 anos aproximadamente, por isso o estilo do relato falado é muito simples em várias ocasiões, com frases muito curtas e idéias bastante elementares.
    Em alguns casos concentram-se em determinados conceitos ou palavras em português e inclusivamente noutras línguas como o inglês; em outros, estão mais dirigidos a estabelecer pautas de comportamento ou moral da história mediante a representação de situações fictícias com a semelhança suficiente a situações reais.
    Noutros casos, simplesmente são contos de aventuras que levam a criança a um mundo de fantasia do qual não se despertarão por um tempo.
  4. Contos inventados

    Os contos clássicos ou tradicionais costumam ter uma qualidade extraordinária, tanto literária como de conteúdo. Por alguma razão são clássicos ou tradicionais!
    Desde logo, cada criança é um mundo, mas a minha experiência diz-me que o elemento mais importante não é a qualidade técnica do conto inventado ou personalizado, mas sim o amor que consegue transmitir.
    Não quero dizer que não haja que contar contos infantis tradicionais ou clássicos, já que muitos são realmente bons, mas sim que se podem complementar com contos inventados mais próximos aos meninos e às meninas, fazendo que estes valorizem e possam solicitar um ou outro tipo na hora de ir dormir com um relato falado.
  5. Contos personalizados

    Outra característica relevante é a apresentação, através destes contos infantis curtos online, de idéias próximas à vida real das crianças e do seu mundo, ajudando-os no desenvolvimento do seu estado evolutivo, tanto emocional como cognitivo.
    As crianças agradecem a atenção e cuidado que se lhes presta e percebem a diferença entre os contos tradicionais ou clássicos e os contos inventados personalizados, ainda que seja vagamente e de forma progressiva.
    Para configurar um conto personalizado deve-se analisar o problema ou situação que se coloca na vida da criança, deve-se ter refletido e ideado uma trama para o novo conto; ou seja, uma dedicação de tempo e esforço de que os meninos ou meninas não terão consciência.
    Por isso uma recomendação saudável é adaptar algo tanto nos contos infantis clássicos como nos contos inventados aqui apresentados à situação real como idade, sexo, número de irmãos e outros elementos relevantes no mundo infantil que podem ser facilmente personalizados.
    Uma das vantagens dos contos personalizados é que, ao facilitar a auto-identificação, as mensagens ou morais da história chegam com muita intensidade.
    O fato de que o conto infantil curto seja um conto personalizado não significa que o protagonista tenha que ter o mesmo nome que o menino ou menina que ouve o relato falado, nem sequer têm que ser meninos ou meninas os protagonistas.
    Outro elemento importante é não fazer uma personalização explícita contrária à natural, ou seja, há que facilitar que a fantasia dos meninos e meninas complete a identificação com plena liberdade.
  6. Histórias verdadeiras

    Normalmente, as imagens dos contos curtos em linha correspondem às personagens ou elementos das histórias verdadeiras. As imagens do conto são fotos ainda que em ocasiões estejam tratadas para que pareçam desenhos.
    Nos relatos baseados em histórias verdadeiras é bom realizar o processo contrário ao dos contos personalizados.
    Os meninos e meninas pequenos sentem-se potentes e inteligentes por entender as mensagens e as relações do conto com o mundo real. Por essa oportunidade que lhes proporcionam estes contos sobre a vida sentem-se agradecidos e têm uma tendência natural a devolver o favor seguindo a moral da história do conto, sempre que seja razoável, claro.
    Há um tipo de contos ou relato que considero especialmente emotivo, trata-se de histórias verdadeiras da própria infância de quem relata o conto.
    Não apenas são recordações de amor e situações especiais próprias mas também, pelos mecanismos da memória, são episódios que por uma causa ou outra representam elementos importantes na vida de uma criança. Por esta característica é muito possível que os relatos e histórias impactem na mente das crianças.
    Outro benefício acrescido é que o pequeno conhece mais a pessoa que lhe conta o conto sem a referência pessoal; não há por que dizer-lhe a origem do conto de forma a que se obtém uma opinião mais objetiva. Mais: é bonito deixar que o descubra no momento certo.
  7. Fábula ou contos com moral da história

    Para estimular a fantasia dos meninos e meninas, educar sobre a natureza e evitar uma mensagem ou moral da história demasiado direta nos contos infantis, pode-se dar-lhes o formato de fábula ou relato com animais falando.

sábado, 21 de agosto de 2010

HISTORIAS

1



História coletiva


Unidade 7


O Bode risonho e a Galinha bravinha


Era tarde da noite na Fazendinha do Lago Mágico. O lugar estava silencioso e todos os


animais dormiam, até as corujas. Às vezes se ouvia o barulho das águas de algum rio que passava


ali perto. Cocota abriu os olhos e viu que não havia ninguém lá fora. A não ser um vagalume


iluminando as folhas das goiabeiras. O céu estava calmo e cheio de estrelas. Uma boa hora, ela


pensou. Estufou o peito bem fundo e cacarejou:


— Acocococordem. Acocococordem — as aves do galinheiro despertaram assustadas. Os


cavalos nas celas, as vacas no pasto e os coelhos acordaram com o grito da galinha. Foi uma


bagunça animal! Nenhum bicho conseguiu dormir pelo resto da madrugada. Todos ficaram emburrados


com tamanha travessura.


— Faz uma semana que Cocota berra toda noite — falou o ganso.


— Acho que pretende ver todos os bichos de cara amarrada, assim como ela! Eita galinha


mal-humorada — respondeu a joaninha.


Na manhã seguinte, os animais ficaram entocados, dorminhocos. Reclamações eram ouvidas


por toda a parte. Parecia que o aborrecimento daquela galinha era contagiante. E era exatamente


o que ela queria. Dizia aos quatro cantos que ninguém poderia ser feliz, enquanto ela vivia


assim tão triste.


Quando o sol já estava a pino, acordou Chamilo, um bode pra lá de simpático. Ele colocou


a fuça para fora do pasto e achou aquilo muito esquisito. Não viu os trutas correndo pelos


campos, os pássaros voando nem os coelhos apostando corrida. Resolveu sair para conferir. Foi


quando encontrou algumas formigas passeando.


— Bom dia, amiguinhas — falou sorrindo.


— Bom dia querido bode Chamilo.


— Onde estão todos? O que está acontecendo?


— Adivinha? — disseram as formigas em coro — é por causa da galinha bravinha.


Chamilo achou melhor dar um jeito nesta situação. Foi ter uma conversa com a danada.


— O que se passa? — perguntou entrando no galinheiro.


— Não vê? — retrucou irritadinha.


— Só vejo camas macias e muita alegria.


— Para você tudo é colorido. Vida de bode é boa. Ruim é vida de


galinha! — respondeu Cocota.


2


História coletiva


Unidade 7


— Então está zangada porque é galinha?


— Não agüento mais penas, piados e bicar milho.


— Então faremos uma aposta — disse Chamilo — vamos trocar de vida por um dia.


— Eu viro bode e você a galinha?


— Isso mesmo!


— Fácil — ela respondeu.


— Mas não é só isso. Se eu lhe convencer que é boa a sua vida de galinha, você pára de


berrar pela madrugada.


— Combinado!


Os dois caminharam até o Lago Mágico. Mergulharam nas águas fantásticas e cristalinas


para fazer o pedido. Quando saíram já estava feito. Cocota sob as quatro patas do bode e Chamilo


piando feito galinha.


Ao entrar no galinheiro, Chamilo cumprimentou os amigos que ali estavam. A galinhada estranhou


a gentileza. Em pouco tempo ganhou a amizade da turma e fez todos se divertirem com


piadas e caretas. Treinou canto com as outras galinhas e montou travesseiros mais macios com


as penas caídas pelas esquinas.


Do outro lado da fazenda, a história era outra. Cocota estava exausta de caminhar até o


campo. Sentiu cansaço em carregar todo aquele peso. Experimentou comer capim e não gostou


do sabor amargo. Quando os outros bichos foram correr na relva, achou chato. Não participou


das brincadeiras, das comissões de limpeza, do bate-papo no final da noite. A bicharada se afastou


do bode que estava muito estranho.


No dia seguinte, quando o sol estava a pino, Cocota e Chamilo encontraram-se. Era hora


de encerrar a aposta.


— Muito dura essa vida de bode! — a galinha fez um desabafo.


— Cocota, você não seria feliz nem em vida de golfinho. Poderia ser cobra, cachorro, leão


ou cavalo-marinho.


— O que devo fazer? — perguntou triste.


— Ver o lado bom de ser galinha.


— Como faço isso?


— Toda vez que alguém lhe disser feiúras, mande um beijo. Toda vez


que algo lhe aborrecer, abra um sorriso.


3


História coletiva


Unidade 7


— Acha que eu consigo?


— Sim e verá que o mal-humor é que é dureza.


Os dois foram até o Lago Mágico. Mergulharam nas águas fantásticas e cristalinas. A partir


daquele dia, todas as noites voltaram a ser silenciosas, estreladas e tranqüilas.






Sugestões de atividades para o projeto Valores






Trouxe mais sugestões para trabalhar com o projeto de valores.


Aqui estão algumas dinâmicas para trabalhar durante o ano.


> DINÂMICAS


Recreio com cores – a docente prepara cartões coloridos de acordo com o número de alunos. Exemplo: 04 cartões de cada cor – azul, amarelo, verde, vermelho, branco e laranja para distribuí-los aleatoriamente entre 24 crianças. Propõe então, um recreio diferente: " Hoje vocês passarão o recreio com os(as) coleguinhas que receberem a mesma cor do cartão que cada um de vocês receberá. É uma oportunidade de nos conhecermos melhor ainda. Será um recreio colorido, diferente e, no retorno, conversaremos sobre as experiências de cada grupo." A professora distribui os cartões e solicita que antes de saírem para brincar e lanchar, que se organizem nos grupos e conversem sobre a cor recebida (o que ela simboliza para cada um, o que existe nessa cor...)


A reflexão após o recreio é de extrema importância para a construção dealguns valores.


Correio da Amizade – Sortear entre os colegas um "Amigo Secreto", escrever para ele; a turma e a professora vão até o correio e esperam pelo momento da revelação em casa, ou seja, o dia em que as correspondências chegarem nas residências de cada um!


Cada turma fixa uma caixa de correio (feita de caixa de sapato) no lado de fora da porta da sala de aula. Durante um determinado período, as turmas vão trocando correspondências. Para culminar o trabalho, pode-se planejar um piquenique entre elas.


Cada criança escreve um bilhetinho para um colega que "deixou magoado".


Cantinhos – nos murais de sala, alguns cantinhos podem ser organizados. Exemplos: "Recadinhos do Coração" (os alunos fixam bilhetes para crianças que retornam às aulas após um período de faltas, expressam sentimentos espontâneos ou observações sobre as atitudes dos colegas, por meio da escrita ou do desenho... e a docente vai trabalhando e estimulando.) / "Galeria do posso, não posso" (cada aluno confecciona duas telas em pintura expressando por meio de desenhos atitudes de grupo- "posso, não posso". A professora expõe as telas e discute-se, a partir daí, as normas de atitudes entre os integrantes da turma que irão vigorar durante o período letivo. Dessa forma, o comprometimento é maior, ou seja, são eles quem elaboram as regras.


Atividades em cadernos – trabalhando sentimentos e emoções:


HOJE ESTOU ASSIM...


(A professora cola um círculo nos cadernos para que as crianças desenhem nele, a expressão facial conforme o que sugere o título.)


PORQUE... (os alunos justificam por meio da escrita o porquê de estarem alegres, tristes, com medo...) Conforme a percepção da professora regente, ela vai resgatando alguns valores como: companheirismo, amizade, segurança, união, compreensão...


VOCÊ MORA NO MEU...


<!--[if !vml]-->( colar um coração de papel colorido)


<!--[endif]-->


Cada criança escreve dentro do coração o nome de um(a) colega e, em seguida, registra por meio da escrita o que pensa e sente por ele(a). Exemplo: "Você é especial, muito amigo!"


ABC dos valores:


A-AMOR


B-BONDADE


C- CARINHO


D- DEDICAÇÃO


E- ESPERANÇA...


(Os alunos opinam, registram e ilustram!)


ALFABETO DA AMIZADE:


A – AMOR É INDISPENSÁVEL ENTRE AMIGOS.


B – BONDADE É SERVIR A PESSOA QUE ESTÁ PRÓXIMA A NÓS.


C – COMPANHEIRISMO É O QUE SINTO QUANDO ESTOU JUNTO DE VOCÊ...


(Cada aluno cria o seu "Alfabeto da Amizade" , escrevendo para cada letra do alfabeto uma frase iniciada por ela. Podem ilustrá-las.)


ACRÓSTICOS:


Amor


Mais compreensão


Igualdade


Gostar do outro


Ouvir os colegas










Riqueza interior é o que vale


Experimente esse sentimento de paz


Sinta a emoção de ser feliz


Pense no bem-estar da humanidade


Espere um outro sorriso quando você sorrir


Inverta uma atitude não amiga demonstrando a sua amizade


Tenha respeito pelo outro


Ouça seu coração e siga a caminhada com sabedoria e tranquilidade.


(Com alguns valores, os alunos criam acrósticos!)


A MINHA LUZ ESTÁ ACESA QUANDO...


(Desenhar ou colar uma estrela)



(Após o conto do livro: "Se ligue em você", os alunos realizam essa atividade, registrando dentro da estrela um BOM SENTIMENTO!)


NA ESCOLA:


FICO ALEGRE QUANDO...


SINTO QUE TENHO UM AMIGO QUANDO...


RESPEITO O OUTRO QUANDO...


(Os alunos completam frases como essas em seus cadernos.)


Emocionômetro – É um quadro de pregas com quatro "caretinhas": ALEGRE, TRISTE, MEDO, NORMAL(sem grandes emoções). Os alunos encaixam seus nomes na fileira da caretinha que expressa como estão se sentindo naquele dia e, em seguida, verbalizam o porquê.


A turma conversa e, se for o caso, propõe alternativas para resoluções de determinados problemas.


domingo, 18 de julho de 2010

TEXTOS



PASSARINHO FOFOQUEIRO







Um passarinho me contou



que a ostra é muito fechada,



que a cobra é muito enrolada,

que a arara é uma cabeça oca,


e que o leão marinho e a foca…



- Xô , passarinho! Chega de fofoca!









OS SAPINHOS VERDES LINGUARUDOS

Os sapinhos linguarudos
Nunca foram fofoqueiros,
Mas seus olhos veem tudo
Eles comem o dia inteiro.

Os insetos que aqui passam
Pelas suas vizinhanças,
Com línguas compridas traçam,
Assim enchem suas panças.

Se você for à lagoa
E encontrar estes sapinhos,
Os bichinhos numa boa
Estarão dando pulinhos.

São sapinhos tão verdinhos
De olhos grandes, seguros,
Comem sempre, os gorduchinhos,
Nunca vão ficar maduros.


A BRINCADEIRA DAS LETRINHAS

Maria Hilda de J. Alão

A aula havia terminado. Em algazarra, as crianças foram saindo da sala. A professora guardou, cuidadosamente, os livros no armário de aço, trancou a porta e se retirou fechando a sala de aula.
Chegou a noite. Dentro do armário de aço livros, cadernos e lápis dormiam. De repente um barulho. O livro de Gramática despertou. Ele era muito tagarela. Também, com aquela porção de letras só podia ser tagarela.
- Pessoal! É hora de acordar! – gritou ele.
As letras despertaram esfregando os olhos cheios de sono.
- O que aconteceu? – perguntou a letrinha “A” bocejando.
- Não aconteceu. Vai acontecer. – disse o livro sacudindo todas as páginas.
- Ai! Pára de se chacoalhar senão eu caio da página. – reclamou irritada a letrinha “Z”, a última do alfabeto da Língua Portuguesa.
- Desculpe! Não fiz por mal. Foi só para acordar todo mundo. – disse o livro rindo baixinho.
- Afinal, qual o motivo dessa bagunça toda? – perguntou, com sua voz de trovão, a letrinha “X”.
- Não é bagunça. É que eu pensei em fazer uma surpresa para as crianças amanhã. Pensei numa brincadeira que vai fazer a turma quebrar a cabeça só pensando.
- E que brincadeira é essa? – quis saber a letrinha “C”.
- Eu pensei assim: e se algumas letrinhas se embaralhassem, outras se duplicassem para formar uma palavra! As crianças terão de organizar as letras para saberem qual é a palavra. Não é uma idéia legal? – terminou todo eufórico o livro.
- Taí! Gostei da idéia. – afirmou a letrinha “Q” balançando o rabinho.
- E qual é a palavra? – perguntou a letrinha “K”.
- A palavra eu já escolhi, e afirmo que não é das mais fáceis. Vou começar chamando a letrinha “D” e, a seguir, as outras que formam a palavra escolhida.
- “D” se apresentando, comandante. – disse, fazendo continência, a letra “D”.
- Como faremos quando surgir a mesma letra duas vezes? – perguntou a letrinha “D”.
- Bem! Aí nós pediremos ajuda ao nosso amigo lápis. – respondeu o livro.
O lápis, que até o momento não dissera nada, ficou todo assanhado. Ele ia participar da brincadeira. Ele ia duplicar as letras da palavra difícil que o livro inventara. E o livro continuou a chamar as letras que, depois de todas arrumadinhas, resultou na palavra abaixo.
DORAPAPEPILELE
– Ih! Será que as crianças vão acertar? É uma confusão… Eu não sei o que está escrito aí. – disse, fazendo careta, a letrinha “B”.

– Eu sei. É tão fácil! Vocês é que não prestam atenção. – contestou a letrinha “V”.
- Eu protesto! Onde já se viu escrever palavras misturando as letras. Já pensou se os livros fossem escritos dessa forma? Coitadas das crianças. Isso não se faz… – protestou a letrinha “U”.
- Chega de conversa. Já fizemos a nossa parte, agora vamos dormir. Amanhã nós saberemos se as crianças são espertas ou não. – falou a letrinha “T”.
E o livro de gramática, agradecendo, fechou as páginas para que as letrinhas dormissem porque, pela manhã, elas teriam muito que fazer.
- Vovó, eu já sei qual é a palavra…
- Guarde para você. Não vá estragar a brincadeira do livro de gramática.







RECEITA PARA SER FELIZ

1 kg de coragem
1 xícara de esperança
½ colher de chá de humildade
2 copos de verdade
3 litros de tolerância.

Bata tudo no pensamento
Unte seu coração
Despeje nele os ingredientes
Agora é só esperar um momento
Conte até três
Está pronto!
Sirva para todos de casa:
A felicidade.


Maria vai com as outras.( Silvia Orthof)


Era uma vez uma ovelha chamada Maria. Onde as outras ovelhas iam, Maria ia também.
As ovelhas iam para baixo Maria ia também.
As ovelhas iam para cima, Maria ia também.
Um dia, todas as ovelhas foram para o Pólo Sul. Maria foi também. E atchim!
Maria ia sempre com as outras. Depois todas as ovelhas foram para o deserto. Maria foi também.
- Ai que lugar quente! As ovelhas tiveram insolação. Maria teve insolação também.
Uf! Uf! Puf! Maria ia sempre com as outras.
Um dia, todas as ovelhas resolveram comer salada de jiló.
Maria detestava jiló. Mas, como todas as ovelhas comiam jiló, Maria comia também. Que horror!
Foi quando de repente, Maria pensou:
“Se eu não gosto de jiló, por que é que eu tenho que comer salada de jiló?”
Maria pensou, suspirou, mas continuou fazendo o que as outras faziam.
Até que as ovelhas resolveram pular do alto do Corcovado pra dentro da lagoa. Todas as ovelhas pularam.
Pulava uma ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra, quebrava o pé e chorava: mé!
Pulava outra ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra e chorava: mé!
E assim quarenta e duas ovelhas pularam, quebraram o pé, chorando mé, mé, mé!
Chegou a vez de Maria pular. Ela deu uma requebrada, entrou num restaurante comeu, uma feijoada.
Agora, mé, Maria vai para onde caminha seu pé.

Sylvia Orthof