domingo, 25 de abril de 2010



A RAPOSA DE BARRIGA CHEIA


Uma Raposa estava em jejum já havia mais de um dia.
Fazia muito frio, e todos os outros animais provavelmente permaneciam em casa ou nas suas tocas, no quentinho.
Os galinheiros estavam todos fechados, para que as Galinhas não pegassem friagem e continuassem a botar ovos.
Assim, não era uma boa ocasião para a pobre Raposa procurar alimento. De todo modo, ela não se dava por vencida.
- A fome é horrível
– Repetia para si mesma a Raposa, enquanto esquadrinhava atentamente cada canto da floresta ,
- Por isso nunca me cansarei de procurar, até que alguma coisa salte fora para matar minha fome.
De fato, sua persistência e meticulosa atenção foram premiadas da maneira mais inesperada.
Do oco de um carvalho saía um cheirinho delicioso:
Era um belo pedaço de carne assada com um pão guardados ali por algum pastor.
Como o farejou, a Raposa se enfiou no buraco, esforçando-se um pouco, porque a entrada era um tanto estreita.
Mal se encaixou nessa espécie de nicho começou a comer com voracidade a farta refeição.
No entanto, quando depois de um breve soninho para fazer a digestão procurou sair, fazendo esforços inúteis, suspirou, desolada:
- Estou com a barriga tão cheia que não consigo fazê-la passar por esta abertura.
-Ai de mim!
-O que faço agora?
-Ficarei aqui, prisioneira?
Uma Raposa, sua amiga, que passava sob o carvalho, a ouviu suspirar e quando soube o motivo de seus lamentos, gritou:
- Tenha paciência, fique tranqüila e verá que com o tempo você ficará magra como quando entrou e poderá sair de novo para a liberdade.


Postado por Profa. Maria Tereza



 DÔ MINHOCA


Desde pequena Dô gostava de dormir, e muito.
Bastava esticar o corpo um pouco de lado e ela logo estava dormindo.
Esticada, enrolada de cabeça para cima, cabeça para baixo.
De qualquer jeito Dô embalava um sono que ia até o dia seguinte.
A comunidade das minhocas era bem agitada.
Ocupadas em fazer coisas, cavar buracos e realizar tarefas sem parar.
Dô gostava disso, só que tanto trabalho dava muita fome e depois de comer, logo ia cochilar um pouco...
As minhocas comem de tudo: pedaços de folhas, frutas, raízes, etc.
Dô sabia que este trabalho debaixo da terra criava um ambiente rico em plantas e bichos, um mundo que ela sonhava em conhecer melhor Dô tinha muitos amigos.
Ângulo só andava em linha reta, sempre com pressa.
Espiral vivia enrolado, fazia tudo de trás para frente, e Pincel era pintor.
Dô tinha uma paixão secreta pelo artista e sonhava com ele pintando seu retrato.
Certo dia a terra tremeu.
Uma pá abriu um buraco e um homem apanhou um monte de minhocas e jogou num balde para usar como isca numa pescaria.
As minhocas se remexiam tentando fugir e Dô também ficou presa ali.
Dô foi parar num anzol e levou um choque com a água gelada.
Foi engolida pelo peixe e na barriga dele estava tão quentinho que ela acabou dormindo.
Não viu nem o peixe ser pescado pelo homem e ser limpo e colocado numa panela.
Um gato miando chamou a atenção da cozinheira.
Como havia muitos peixes ela acabou dando um para o bichano esfomeado.
Dô tinha acabado de acordar e então viu a boca do gato carregando o peixe feliz da vida .
O cachorro já esperava o gato para atacar e os dois ficaram correndo em volta da casa.
Quando ia ser pego o felino deu um salto e pulou para uma janela em que o cão não alcançava.
Ficou latindo e rosnando até cansar.
O gato teve paciência e esperou ficar tudo calmo antes de sair para comer sua refeição.
Mas antes de pular para o chão Dô Minhoca saiu da boca do peixe e olhou com curiosidade para aquelas novas paisagens.
Dô olhou o sol vermelho descer e depois a lua prateada subir devagar.
Até perdeu o sono e passou a noite acordada querendo entrar naqueles buraquinhos de estrelas.
Nunca imaginou que o mundo podia ser tão grande.
De manhã Dô foi pega por um pássaro que procurava alimento.
Ele voou alto e Dô se debateu muito.
Seu rabo acabou batendo no olho do pássaro, que a soltou.
Ela caiu lá de cima sobre a grama fofa sem se machucar.
Ao encontrar um Caracol que usava uma concha como casa, Dô gostou da idéia e fez o mesmo.
Mas acabou achando que assim andava muito devagar e resolveu voltar sua vida de minhoca e ver se encontrava o caminho do minhoqueiro.
Dô cavou, revirou mas não achou o caminho de casa.
Já estava desistindo quando Ângulo apareceu dizendo que estavam todos preocupados.
Dô ficou aliviada e feliz ao saber que haviam preparado uma grande surpresa para ela.
Em casa, Dô encontrou os amigos na exposição de quadros de Pincel.
E o que estava fazendo mais sucesso era o retrato dela!
Seu coração de minhoca disparou e ela desmaiou de cansaço e felicidade.
Agora Dô queria mesmo dormir, sonhar e acordar de verdade.

Postado por Profa. Maria Tereza







COMO O SOL E A LUA FORAM MORAR NO CÉU.
JÁ TEM MUITO TEMPO QUE ESSA HISTÓRIA ACONTECEU. TANTO TEMPO QUE O SOL E A LUA AINDA MORAVAM NA TERRA.
UM DIA, SOL E LUA ACORDARAM COM TANTA SEDE QUE RESOLVERAM VISITAR SEUS VIZINHOS.
OS PÁSSAROS SELVAGENS, POIS ELES COSTUMAVAM GUARDAR ÁGUA DE BEBER EM GRANDES E PESADOS POTES.
SÓ QUE AO CHEGAREM NA CASA DOS PÁSSAROS, SOL E LUA FORAM PROIBIDOS DE BEBER ÁGUA. DESOBEDECENDO, SOL PEGOU UM POTE PARA LEVÁ-LO ATÉ A BOCA.
E, ASSIM, MATAR A SUA SEDE.
AÍ O DESASTRE ACONTECEU; O POTE ESCORREGOU DE SUAS MÃOS, QUEBROU E TODA A ÁGUA SE PERDEU.
OS PÁSSAROS FICARAM MUITO BRAVOS E SAIRAM CORRENDO ATRÁS DO SOL E DA LUA...
QUE FUGIRAM PARA SE ESCONDEREM NUMA CABANA NO MEIO DO MATO.
MAS DE NADA ADIANTOU, FORAM DESCOBERTOS FOI AÍ, ENTÃO, QUE O PIOR ACONTECEU: SOL FICOU QUENTE DEMAIS DE RAIVA.
OS PÁSSAROS NÃO AGÜENTARAM TODO AQUELE CALOR E COMEÇARAM TODOS JUNTOS A ABANAR SUAS ASAS CADA VEZ MAIS,... FAZENDO UM VENTO TÃO FORTE QUE FOI CAPAZ DE LEVANTAR SOL E LUA ATÉ O CÉU.
E NUNCA MAIS SOL E LUA DESCERAM LÁ DE CIMA

Postado por Profa. Maria Tereza

  






O BARQUINHO ENJOADO


Era uma vez um barquinho muito, muito infeliz.
Vivia embrulhado,Tinha enjoo do balanço do mar.
Era só começar a navegar e ele a passar mal, a marear.
Os peixinhos riam dele e, para piorar a situação, ficavam indo e vindo à sua frente, de pura molecagem, aumentando a aflição.
— Quem mandou nascer barquinho?
— Brincava uma gaivota.
— Mas eu não nasci assim, sua boboca!
Por que não me deixaram ser árvore a vida inteira, parada num só lugar, sem este vai-e-volta, sem este vem-e-vai?
— Reclamava o pobrezinho
— Puxa vida... ai, ai, ai!
Seu dono, um velho pescador, nem notava o problema do coitado.
Todo dia, de manhã cedo, saía atrás de peixe, sem domingo nem feriado.
Não tinha folga o barco enjoado.
Mas um belo dia, tudo mudou!
Todo contente, o pescador apareceu com um barco bem novinho.
Era amarelo e cor de vinho.
E o outro se aposentou.
Desde este dia, quanta alegria!
Não precisa mais ir para o mar, nem marear.
Fica na areia, tomando sol numa boa, olhando de longe a pescaria.
No barco enjoado o velho escreveu “peixe fresco todo dia” para atrair a freguesia.
Esta sim era a vida que ele queria!
Esta história foi retirado deste site http://www.divertudo.com.br/historias.


Postado por Profa. Maria Tereza






A CASA QUE CHORAVA.

João Fernando fazia sua primeira excursão com o grupo de escoteiros mirins de sua escola.
Eram, para ele, emocionantes todas as etapas do evento: as aulas de ciências naturais, as refeições ao ar livre, as caminhadas; as noites dormidas em barracas e a proximidade com a paisagem campestre o fascinavam.
Tudo para ele era novidade.
De vez em quando, sentia saudade de seus pais Maria Helena e Fabrício e de suas irmãs Maria Cristina e Maria Inês; a estas duas havia prometido levar alguma lembrança quando voltasse.
Por esse motivo, ia olhando tudo ao seu redor, para ver se algo agradaria às duas meninas.
E foi assim que, sem se dar conta, João Fernando afastou-se do grupo. Em dado momento, deparou-se com uma casa velha, abandonada; estava vazia e suja; janelas e portas escancaradas.
Aproximou-se,bateu palmas,expiou; ali não morava ninguém e talvez há muito tempo, apoiou o braço na janela, limpou o pó com a mão e falou para si mesmo:
Não é ruim, deveria até ter sido boa; se a limpássemos, poderia servir para tomarmos aqui nossa refeição!
Passou levemente a mão sobre a parede e notou que estava molhada; olhou com mais atenção e imaginou serem lágrimas o líquido que escorria em forma de gotinhas.
Pobre casa abandonada, disse ele, quem teria feito isso? E ouviu uma resposta:
__Foi a minha dona, há muitos anos; uns treze, você nem havia nascido! João Fernando, julgando ser uma brincadeira de algum dos escoteiros, olhou para todos os lados e constatou que estava só. E a voz prosseguiu: __ Pobrezinha de minha dona, ela me cuidava tanto!...
Estas janelas, que você vê empoeiradas e carcomidas, traziam alvas cortinas que balançavam ao vento, deixando penetrar os raios do Sol durante o dia e, permitindo à noite, que a lua espiasse a singeleza daquela que para aqui veio ainda criança!
Eu era branca e perfumada pelas flores do jardim que ela cultivava e emoldurada por um belo pomar que ela plantou!
Havia pássaros no abacateiro e as flores das laranjeiras atraiam borboletas de cores variadas!
Ela era alegre e feliz e enquanto costurava sentada junto à janela, seu canto fazia inveja aos rouxinóis!
Fez uma pausa, suspirou e prosseguiu: era uma ternura a minha patroazinha: frágil, meiga...Ah, que saudade tenho dela!
Não a culpo por ter me deixado só!
Sim, porque seus pais morreram e ela se foi para a cidade morar com os tios; eles não queriam que ela vivesse só!
João Fernando estava admirado; era mesmo a velha casa que falava e eram lágrimas, sim, lágrimas o que estava molhando sua mão apoiada na janela.
A casa abandonada soluçou. Pobrezinha!, disse o menino, como eu gostaria de trazê-la de novo para você; mas, não posso, não posso! __Ninguém pode, respondeu a velha casa, e assim, eu me tornei uma sombra do passado; hoje sirvo de abrigo a bêbados e vadios!
Até o pomar está todo caído, sumido dentro do mato; os passarinhos se foram; só resta mesmo a saudade!
__Vou falar com o instrutor, disse João Fernando, poderemos limpá-la e torná-la um pouco mais agradável! Não demoro! Até logo, casinha amiga!
O garoto falou ao instrutor sobre a sua descoberta, mas nunca falaria sobre sua conversa com a velha casa; diriam que estava louco!
Quem já ouviu casa falar?
O instrutor gostou da idéia e, naquele dia, limparam a casa, o melhor que puderam; colocaram ali suas esteiras, jantaram e dormiram na velha casa, aquela noite e nas noites subsequentes.
Nosso pequeno escoteiro notou que, enquanto ocupavam a casa, ela não chorava; parecia ter esquecido, por um pouco, sua grande mágoa.
O grupo de escoteiros capinou o pomar e, com estacas, levantou os pés de frutas e fez, de modo geral, uma grande faxina.
Chegou a hora da partida e João Fernando, de propósito, deixou-se ficar um pouco para traz do grupo, para se despedir da velha casa.
Volte sempre meu amigo, disse ela, não se esqueça de mim!
E, novamente, as gotinhas escorreram pelas paredes da casinha,João Fernando molhou os dedos naquelas lágrimas e estendo a mão, prometeu:
__Não a esquecerei, palavra de escoteiro!
E o nosso pequeno escoteiro não acabava mais de narrar, aos pais e às irmãs, tudo o que havia visto e aprendido.
Depois, dedicou-se a convencê-los a irem conhecer o maravilhoso achado, onde poderiam construir a casa de campo que estavam planejando.
Tanto insistiu, que num fim de semana, lá se foi a família, a conhecer o sítio onde o garoto acampara.
Antes de partirem, o menino, que não conseguia mais guardar segredo, contou à mãe sobre a sua conversa com a velha casa.
__Mamãe, disse ele, você acredita que estou louco; casas não falam, não é mesmo?
Maria Helena estava pensativa, mas procurou tranqüilizar o filho:
Não se preocupe, meu filho, aos onze anos, costumamos sonhar e sonhos tão bonitos que podem parecer realidade!
Ele sabia que não era sonho, mas pediu à mãe que nada dissesse a seu pai.
Ao chegarem ao local, João Fernando puxou a mãe pelo braço, fazendo-a correr com ele, na frente do pai e das irmãs; queria que ela fosse a primeira a conhecer a casa que chorava.
E a velha casa estava a verter lágrimas por toda a fachada.
João Fernando parou admirado, enquanto Maria Helena se aproximou e beijou delicadamente os batentes da porta e da janela, enquanto o filho a ouvia conversar com uma velha e conhecida amiga: Meu velho lar querido, meu amado e antigo lar, eu sabia que um dia voltaria para você; agora nunca mais a deixarei, nunca! nunca! João Fernando abraçou-se à mãe. Mamãe!
Era você então, a amada dona desta velha casa?
É você por quem ela chora e por quem espera?
Sim, filho, você já sabe; deve ficar entre nós! Perceberam, então, que a velha casa já não mais chorava; estava feliz.
Maria Helena e Fabrício construíram ali uma bela casa, conservando a velha casinha que fora restaurada e embelezada ainda mais que outrora. Era lá que Maria Helena fazia seus trabalhos de agulhas e onde as crianças estudavam e brincavam.
Quem passa hoje em dia pela estrada, de longe pode ver as brancas cortinas nas janelas balançando ao vento e, à noite, a lua entrando novamente pelas frestas.
As flores e os pássaros são o seu mais belo adorno.
As laranjeiras novamente florescem, exalando seu perfume; o abacateiro reergueu-se e todo ano enche-se de frutos.


Postado por Profa. Maria Tereza








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Alfabetização

Alfabetização

Sobre a nossa língua

A língua é um sistema que tem como centro a comunicação, seja falada ou escrita. Assim, seu ensino deve valorizar seu uso em diferentes situações ou contextos sociais, com as variedades de funções, estilos e modos de falar. Organize o trabalho em torno de seu uso, privilegiando a reflexão dos alunos sobre seus diferentes usos, possibilitando assim o desenvolvimento das capacidades necessárias para as práticas de leitura e de escrita, de fala e de escuta para que haja comunicação.


Habilidades de leitura

As habilidades de um idioma são quatro.
1. Ler
2. Ouvir
3. Falar
4. Escrever

Nós aprendemos que, para ler, precisaríamos falar em voz alta aquilo que estava escrito. Aquele que falava tudo, sem errar, era um bom leitor. Hoje, sabemos que leitura é muito mais do que decodificar os símbolos, sendo necessário haver compreensão daquilo que é lido, apropriando-se do seu significado, fazendo inferências sobre ele e sabendo utilizar o que lemos para as nossas vidas. Reconhecemos que a decodificação faz parte do processo de leitura, mas essa não deve ser jamais considerada como única habilidade a ser construída.
Veremos que lemos pelas mais variadas razões, assim como escrevemos. Essas capacidades de leitura e de escrita precisam ser aprendidas, não são inerentes ao ser humano, ou seja, não nascemos sabendo-as. Portanto, o papel do professor é fundamental para que os alunos tenham acesso a essas capacidades, pois dependendo do contexto onde o aluno vive, ele não terá acesso a elas, a não ser na escola.
Uma professora muito querida, Sandra Eleutério, me fez aprender que precisamos planejar de costas para a escola, ou seja, de frente para o mundo. Vemos muitas atividades escolares, que tem fim apenas na instituição, sem real intenção de comunicação. Isso é um erro. Aprendemos para viver melhor. Portanto, é nosso dever proporcionarmos aos alunos o contato com leitura e escrita de textos com reais intenções de comunicação, para que a leitura e a escrita fiquem cada vez mais próximas de sua versão social.

Ler é uma habilidade receptiva que envolve compreender:


o sentido do texto;
a palavra na frase;
a palavra no texto;
relacionar o assunto do texto ao nosso conhecimento de mundo;
o que são letras;
como as letras se unem para formar as palavras;
o significado das palavras;
a gramática;
a conexão entre as orações (coesão e coerência).


Quando lemos, não lemos necessariamente tudo em um texto, nossa leitura depende do porque nós lemos e de como nós lemos.
Há diferentes formas de letra, como, por exemplo, quando consultamos um site de um hotel interessados nos valores de hospedagem, não lemos tudo o que está na página, mas procuramos pela informação desejada. Assim o fazemos ao lermos um anúncio em um jornal, ou o detalhe de um romance e ainda quando procuramos um número de telefone na lista telefônica ou agenda. Enfim, lemos textos diferentes, por razões diferentes. A razão para ler influencia no modo de ler.
É importante que o professor trabalhe as diferentes habilidades de leitura com seus alunos, até mesmo para significar o que eles estão estudando.
Lemos para encontrar uma informação específica: não lemos o texto todo. Passamos os olhos por ele para acharmos o que queremos. Como, por ex., quando procuramos uma palavra no dicionário, ou uma rua em um mapa.
Lemos para encontrarmos a essência do texto: deslizamos os olhos pelo texto para termos uma visão geral, como quando escolhemos um livro em uma livraria, ou uma revista na banca.
Lemos para encontrarmos um detalhe: analisamos o significado de cada palavra, como quando lemos uma carta de amor, ou de amigo, ou em um processo jurídico.
Lemos para compreender um texto longo: paramos em determinadas partes, relemos alguns trechos, dando-lhes maior atenção e passamos normalmente por outros.
Ler um texto para estudar gramática, apesar de permitir que se entenda melhor nossa língua, não desenvolve habilidade de leitura.
É necessário escolher textos interessantes para a turma com a qual se trabalha, motivando os alunos, considerando níveis de dificuldade. A dificuldade do texto depende em parte do nível da atividade de compreensão que for proposta. Pode-se trabalhar com textos simplificados ou autênticos.


Habilidade de escuta

Como a leitura, ouvir é uma habilidade receptiva, que envolve o senso de produção do significado dos sons. Nós escutamos fazendo ma ponte entre o nosso conhecimento do idioma e do mundo. Escutar envolve compreender a língua escrita. Por exemplo:
O que é escrito:
permanece na página e não desaparece,
usa pontuação e letras maiúsculas para mostrar orações,
não tem apoio visual, exceto quando há ilustrações,
as orações têm sucessões lógicas,
usamos um vocabulário exato e gramática completa.
O que é falado:
desaparece assim que é falado, rápida ou lentamente, com ou sem pausas,
usa significantes de palavras pela entonação,
fala conectada, pode ser composta de oração completa ou incompleta, ou unicamente de palavras,
há o apoio da linguagem corporal e das expressões faciais,
há interrupções, hesitações, repetições e mudanças,
usa m vocabulário geral e gramático simples.
Para entendermos o que ouvimos é necessário:
saber inferir o significado de um som, um ruído, uma careta incluída na fala,
entender os diferentes tipos de textos. Histórias, canções, anúncios, instruções, propagandas, conferências, palestras, cartas, cartões postais, poemas, panfletos, dentre outros, são escritos, lidos e ouvidos com organizações diferentes, podendo ter uma ou mais vozes.
lidar com as diferentes velocidades de fala,
entender entonações diferentes,
usar o contexto e o nosso conhecimento de mundo,
saber escutar de formas diferentes: saber ouvir informação específica, prestando atenção a um detalhe, saber perceber uma atitude, uma intenção, pelo tom de voz, saber ouvir para se ter uma noção geral do que se está ouvindo, se é uma música, um poema, o jornal, a novela, etc.
O mínimo que um estudante precisa dominar, considerando os diferentes aspectos da escuta:
· ouvir as diferenças entre sons comuns,
· destacar as palavras importantes, identificando o que alguém acabou de dizer,
· entender e responder instruções simples e comandos,
· perceber as diferenças básicas em entonação (saber diferenciar, pela entonação da voz, uma afirmação de uma frase imperativa, de um questionamento, de uma frase exclamativa),
· seguir uma narrativa simples, dita/lida por outro, com ou sem o auxílio de gravuras,
· reconhecer rimas simples,
· entender narrativas simples,
· entender e responder instruções e pedidos,
· identificar idéias principais no que se escuta.

Habilidades da fala


Habilidades da fala

Falar é uma habilidade produtiva, assim como a escrita. Ela envolve o uso da linguagem para conseguir se comunicar com outras pessoas.

Principais conceitos

Marque o que muitas vezes as pessoas fazem quando falam:

1. Pronunciam palavras
2. Respondem às perguntas
3. Usam a entonação da voz
4. Pedem esclarecimentos ou esclarecem algo
5. Corrigem-se
6. Tomam parte nas discussões
7. Alteram o assunto, o conteúdo, ou o estilo de seu discurso de acordo com a forma como os seus ouvintes lhe respondem
8. Cumprimentam as pessoas
9. Planejam o que vão dizer
10. Sorriem ou choram
11. Pedem e dão informações
12. Respondem adequadamente
13. Persuadem
14. Começam a falar quando alguém pára
15. Contam histórias
16. Usam a gramática e o vocabulário corretamente
17. Usam diferentes verbos
18. Participam de conversas

Costumamos fazer todas essas coisas quando falamos, exceto 9 e 16. Falando não permite-nos tempo para fazer essas, exceto no discurso formal, como quando fazemos um discurso.

Aqui está uma lista das categorias que os outros pontos são exemplo de:
gramática e vocabulário (17)
funções (2,4,6,8,11,12,13,15)
características de fala encadeada (1,3)
appropriacy (12)
linguagem corporal (10)
interação (5, 7,14,18)

Interação é uma comunicação bidirecional que envolve o uso de linguagem e linguagem corporal para manter o nosso ouvinte envolvido no que estamos dizendo e verificar que eles compreendam o nosso significado. Exemplos dessas estratégias interativas são:

fazer contato visual, utilizando expressões faciais,
fazendo perguntas de verificação (por exemplo, você entende?),
esclarecendo o seu significado – “ O que eu estou tentando dizer é que...”,
confirmando entendimento – hum, certo.

Nós falamos com fluência e precisão. Fluência é quando falamos a uma velocidade normal. Precisão no discurso é o uso de formas corretas de gramática, vocabulário e pronúncia. Quando falamos, usamos diferentes aspectos da língua, dependendo do tipo de fala que estamos envolvidos, por ex. quando você vai a uma loja para comprar alguns doces e pergunta ao lojista qual o preço. Então, depois de deixar ele responder, você não fala muito mais, pede o que quer e pronto; se você vai ao banco para pedir ao gerente um empréstimo, provavelmente terá que falar muito mais. Se você fizer uma refeição com todos os seus parentes, também usará muito a fala com eles. Como você pode ver, falar é uma atividade complexa.

Principais conceitos da fala trabalhados em sala de aula no ensino da língua

Nós podemos auxiliar nossos alunos a desenvolver habilidades de fala, centrando-se regularmente sobre aspectos particulares: fluência, pronúncia, correção gramatical e linguagem corporal.
Atividades de prática planejada podem fornecer, se for limitada, a preparação para falar com intenção de comunicação, interação ou com fluência adaptada para ser entendido.
Às vezes, os alunos falam mais com boa vontade em sala de aula quando eles têm uma razão para se comunicar, por exemplo, para resolver um problema ou dar aos outros colegas algumas informações de que necessitam.
Como falar é como uma habilidade complexa, os alunos em sala de aula podem precisar de muita ajuda para se prepararem para falar, por exemplo: prática do vocabulário necessário, o tempo para organizar suas idéias eo que eles querem dizer, a prática de pronunciar as palavras e expressões novas, a prática na realização de uma tarefa, antes de falar livremente.
Alunos, especialmente as crianças, podem precisar de que você pratique com eles atividades que lhe dêem oportunidade para falar, como nas rodas de conversa.
É importante que os alunos tenham liberdade para falar, discutir e perguntar.

Reflexão

Como seus professores lhe ensinar a falar em determinadas situações? Como ao cumprimentar o diretor, o colega que faz aniversário, ou uma visita na sala de aula, ao falar em um discurso, a conversar com seus colegas? Será que você tem bastante prática em todos os aspectos da fala?
Quais os aspectos da fala você acha mais fácil e mais difícil agora? É fácil para você falar em público?Você ensina falando da mesma forma que lhe ensinaram isso? Por quê? Por que não?
Postado por Prô Erika - Kika às 11:34 0 comentários
Domingo, Fevereiro 21, 2010
Ângela, o que há nos Referenciais Curriculares Nacionais da Educação Infantil sobre a qualidade de som e imagem ofertada para as crianças é:



No volume um:




ESPAÇO FÍSICO E RECURSOS MATERIAIS



A estruturação do espaço, a forma como os materiais estão organizados, a qualidade e adequação dos mesmos são elementos essenciais de um projeto educativo. Espaço físico, materiais, brinquedos, instrumentos sonoros e mobiliários não devem ser vistos como elementos passivos, mas como componentes ativos do processo educacional que refletem a concepção de educação assumida pela instituição. Constituem-se em poderosos auxiliares da aprendizagem. Sua presença desponta como um dos indicadores importantes para a definição de práticas educativas de qualidade em instituição de educação infantil. No entanto, a melhoria da ação educativa não depende exclusivamente da existência destes objetos, mas está condicionada ao uso que fazem deles os professores junto às crianças com as quais trabalham. Os professores preparam o ambiente para que a criança possa aprender de forma ativa na interação com outras crianças e com os adultos.




No volume três:




PRESENÇA DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL:
IDÉIAS E PRÁTICAS CORRENTES



A música no contexto da educação infantil vem, ao longo de sua história, atendendo a vários objetivos, alguns dos quais alheios às questões próprias dessa linguagem. Tem sido, em muitos casos, suporte para atender a vários propósitos, como a formação de hábitos, atitudes e comportamentos: lavar as mãos antes do lanche, escovar os dentes, respeitar o farol etc.; a realização de comemorações relativas ao calendário de eventos do ano letivo simbolizados no dia da árvore, dia do soldado, dia das mães etc.; a memorização de conteúdos relativos a números, letras do alfabeto, cores etc., traduzidos em canções. Essas canções costumam ser acompanhadas por gestos corporais, imitados pelas crianças de forma mecânica e estereotipada.
Outra prática corrente tem sido o uso das bandinhas rítmicas para o desenvolvimento motor, da audição, e do domínio rítmico. Essas bandinhas utilizam instrumentos — pandeirinhos, tamborzinhos, pauzinhos etc. — muitas vezes confeccionados com material inadequado e conseqüentemente com qualidade sonora deficiente. Isso reforça o aspecto mecânico e a imitação, deixando pouco ou nenhum espaço às atividades de criação ou às questões ligadas a percepção e conhecimento das possibilidades e qualidades expressivas dos sons.
Ainda que esses procedimentos venham sendo repensados, muitas instituições encontram dificuldades para integrar a linguagem musical ao contexto educacional. Constata-se uma defasagem entre o trabalho realizado na área de Música e nas demais áreas do conhecimento, evidenciada pela realização de atividades de reprodução e imitação em detrimento de atividades voltadas à criação e à elaboração musical. Nesses contextos, a música é tratada como se fosse um produto pronto, que se aprende a reproduzir, e não uma linguagem cujo conhecimento se constrói. A música está presente em diversas situações da vida humana. Existe música para adormecer, música para dançar, para chorar os mortos, para conclamar o povo a lutar, o que remonta à sua função ritualística. Presente na vida diária de alguns povos, ainda hoje é tocada e dançada por todos, seguindo costumes que respeitam as festividades e os momentos próprios a cada manifestação musical. Nesses contextos, as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo e assim começam a aprender suas tradições musicais (É o caso das crianças indígenas, ou das crianças integrantes de comunidades musicais, como os filhos de integrantes de Escolas de Samba, Congadas, Siriris etc.).
Mesmo que as formas de organização social e o papel da música nas sociedades
modernas tenham se transformado, algo de seu caráter ritual é preservado, assim como certa tradição do fazer e ensinar por imitação e “por ouvido”, em que se misturam intuição, conhecimento prático e transmissão oral. Essas questões devem ser consideradas ao se pensar na aprendizagem, pois o contato intuitivo e espontâneo com a expressão musical desde os primeiros anos de vida é importante ponto de partida para o processo de musicalização. Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, jogos de mãos, etc., são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical, além de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva, estética e cognitiva. Aprender música significa integrar experiências que envolvem a vivência, a percepção e a reflexão, encaminhando-as para níveis cada vez mais elaborados.
Pesquisadores e estudiosos vêm traçando paralelos entre o desenvolvimento infantil e o exercício da expressão musical, resultando em propostas que respeitam o modo de perceber, sentir e pensar, em cada fase, e contribuindo para que a construção do conhecimento dessa linguagem ocorra de modo significativo,. O trabalho com Música proposto por este documento fundamenta-se nesses estudos, de modo a garantir à criança a possibilidade de vivenciar e refletir sobre questões musicais, num exercício sensível e expressivo que também oferece condições para o desenvolvimento de habilidades, de formulação de hipóteses e de elaboração de conceitos. Compreende-se a música como linguagem e forma de conhecimento. Presente no cotidiano de modo intenso, no rádio, na TV, em gravações, jingles etc., por meio de brincadeiras e manifestações espontâneas ou pela intervenção do professor ou familiares, além de outras situações de convívio social, a linguagem musical tem estrutura e características próprias, devendo ser considerada como:
• produção — centrada na experimentação e na imitação, tendo como produtos musicais a interpretação, a improvisação e a composição;
• apreciação — percepção tanto dos sons e silêncios quanto das estruturas e organizações musicais, buscando desenvolver, por meio do prazer da escuta, a capacidade de observação, análise e reconhecimento;
• reflexão — sobre questões referentes à organização, criação, produtos e produtores musicais.
Os jogos de mãos, tradicionais e presentes em todas as culturas, caracterizam-se pelas brincadeiras rítmicas ou melódicas integrando texto e batimentos com as mãos, realizadas por duplas, trios ou quartetos de crianças. Exemplos: “Eu com as
quatro”, “No velho Oeste”, “Fui à China” etc.
Nesse sentido, deve-se pesquisar o trabalho do educador musical inglês Keith Swanwick, da americana Marilyn P. Zimmerman, do compositor e pedagogo francês François Delalande e do americano Howard Gardner, entre outros.
Tudo aquilo que resulta da organização dos sons em linguagem musical.
Deve ser considerado o aspecto da integração do trabalho musical às outras áreas, já que, por um lado, a música mantém contato estreito e direto com as
demais linguagens expressivas (movimento, expressão cênica, artes visuais etc.), e, por outro, torna possível a realização de projetos integrados. É preciso cuidar, no entanto, para que não se deixe de lado o exercício das questões especificamente musicais.
O trabalho com música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e forma de conhecimento acessível aos bebês e crianças, inclusive aquelas que apresentem necessidades especiais. A linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da auto-estima e autoconhecimento, além de poderoso meio de integração
social.



A CRIANÇA E A MÚSICA



O ambiente sonoro, assim como a presença da música em diferentes e variadas situações do cotidiano fazem com que os bebês e crianças iniciem seu processo de musicalização de forma intuitiva. Adultos cantam melodias curtas, cantigas de ninar, fazem brincadeiras cantadas, com rimas, parlendas etc., reconhecendo o fascínio que tais jogos exercem. Encantados com o que ouvem, os bebês tentam imitar e responder, criando momentos significativos no desenvolvimento afetivo e cognitivo, responsáveis pela criação de vínculos tanto com os adultos quanto com a música. Nas interações que se estabelecem, eles constroem um repertório que lhes permite iniciar uma forma de comunicação por meio dos sons.
O balbucio e o ato de cantarolar dos bebês têm sido objetos de pesquisas que apresentam dados importantes sobre a complexidade das linhas melódicas cantaroladas até os dois anos de idade, aproximadamente. Procuram imitar o que ouvem e também inventam linhas melódicas ou ruídos, explorando possibilidades vocais, da mesma forma como interagem com os objetos e brinquedos sonoros disponíveis, estabelecendo, desde então, um jogo caracterizado pelo exercício sensorial e motor com esses materiais. A escuta de diferentes sons (produzidos por brinquedos sonoros ou oriundos do próprio ambiente doméstico) também é fonte de observação e descobertas, provocando respostas. A audição de obras musicais enseja as mais diversas reações: os bebês podem manter-se atentos, tranqüilos ou agitados. Do primeiro ao terceiro ano de vida, os bebês ampliam os modos de expressão musical pelas conquistas vocais e corporais. Podem articular e entoar um maior número de sons, inclusive os da língua materna, reproduzindo letras simples, refrões, onomatopéias etc., explorando gestos sonoros, como bater palmas, pernas, pés, especialmente depois de conquistada a marcha, a capacidade de correr, pular e movimentar-se acompanhando uma música.
No que diz respeito à relação com os materiais sonoros é importante notar que, nessa fase, as crianças conferem importância e equivalência a toda e qualquer fonte sonora e assim explorar as teclas de um piano é tal e qual percutir uma caixa ou um cestinho, por exemplo. Interessam-se pelos modos de ação e produção dos sons, sendo que sacudir e bater são seus primeiros modos de ação. Estão sempre atentas às características dos sons ouvidos ou produzidos, se gerados por um instrumento musical, pela voz ou qualquer objeto, descobrindo possibilidades sonoras com todo material acessível. Assim, o que caracteriza a produção musical das crianças nesse estágio é a exploração do som e suas qualidades — que são altura, duração, intensidade e timbre — e não a criação de temas ou melodias definidos precisamente, ou seja, diante de um teclado, por exemplo, importa explorar livremente os registros grave ou agudo (altura), tocando forte ou fraco (intensidade), produzindo sons curtos ou longos (duração), imitando gestos motores que observou e que reconhece como responsáveis pela produção do som, sem a preocupação de localizar as notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si) ou reproduzir exatamente qualquer melodia conhecida. E ainda que possam, em alguns casos, manter um pulso (medida referencial de duração constante), a vivência do ritmo também não se subordina à pulsação e ao compasso (a organização do pulso em tempos fortes e fracos) e assim vivenciam o ritmo livre. Diferenças individuais e grupais acontecem, fazendo com que, aos três anos, por exemplo, integrantes de comunidades musicais ou crianças cujos pais toquem instrumentos possam apresentar um desenvolvimento e controle rítmico diferente das outras crianças, demonstrando que o contato sistemático com a música ampla o conhecimento e as possibilidades de realizações musicais.
A expressão musical das crianças nessa fase é caracterizada pela ênfase nos aspectos intuitivo e afetivo e pela exploração (sensório-motora) dos materiais sonoros. As crianças integram a música às demais brincadeiras e jogos: cantam enquanto brincam, acompanham com sons os movimentos de seus carrinhos, dançam e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo “personalidade” e significados simbólicos aos objetos sonoros ou instrumentos musicais e à sua produção musical. O brincar permeia a relação que se estabelece com os materiais: mais do que sons, podem representar personagens, como animais, carros, máquinas, super-heróis etc. A partir dos três anos, aproximadamente, os jogos com movimento são fonte de prazer, alegria e possibilidade efetiva para o desenvolvimento motor e rítmico, sintonizados com a música, uma vez que o modo de expressão característico dessa faixa etária integra gesto, som e movimento. Aos poucos ocorre um maior domínio com relação à entoação melódica. Ainda que sem um controle preciso da afinação, mas já com retenção de desenhos melódicos e de momentos significativos das canções, como refrão, onomatopéias, o “to-to” de “Atirei o pau no gato” etc. A criança memoriza um repertório maior de canções e conta, conseqüentemente, com um “arquivo” de informações referentes a desenhos melódicos e rítmicos que utiliza com freqüência nas canções que inventa. Ela é uma boa improvisadora, “cantando histórias”, misturando idéias ou trechos dos materiais conhecidos, recriando, adaptando etc. É comum que, brincando sozinha, invente longas canções. A expressão “desenho melódico” refere-se à organização dos sons com diferentes alturas que sugerem o contorno da melodia.
Aos poucos, começa a cantar com maior precisão de entoação e a reproduzir ritmos simples orientados por um pulso regular. Os batimentos rítmicos corporais (palmas, batidas nas pernas, pés etc.) são observados e reproduzidos com cuidado, e, evidentemente, a maior ou menor complexidade das estruturas rítmicas dependerá do nível de desenvolvimento de cada criança ou grupo. Além de cantar, a criança tem interesse, também, em tocar pequenas linhas melódicas
nos instrumentos musicais, buscando entender sua construção. Torna-se muito importante poder reproduzir ou compor uma melodia, mesmo que usando apenas dois sons diferentes e percebe o fato de que para cantar ou tocar uma melodia é preciso respeitar uma ordem, à semelhança do que ocorre com a escrita de palavras. A audição pode detalhar mais, e o interesse por muitos e variados estilos tende a se ampliar. Se a produção musical veiculada pela mídia lhe interessa, também mostra-se receptiva a diferentes gêneros e estilos musicais, quando tem a possibilidade de conhecê-los.




O fazer musical



O fazer musical é uma forma de comunicação e expressão que acontece por meio da improvisação, da composição e da interpretação. Improvisar é criar instantaneamente, orientando-se por alguns critérios pré-definidos, mas com grande margem a realizações aleatórias, não-determinadas. Compor é criar a partir de estruturas fixas e determinadas e interpretar é executar uma composição contando com a participação expressiva do intérprete.
Nessa faixa etária, a improvisação constitui-se numa das formas de atividade criativa. Os jogos de improvisação são ações intencionais que possibilitam o exercício criativo de situações musicais e o desenvolvimento da comunicação por meio dessa linguagem. As crianças de quatro a seis anos já podem compor pequenas canções. Com os instrumentos musicais ainda é difícil criar estruturas definidas, e as criações musicais das crianças geralmente situam-se entre a improvisação e a composição, ou seja, a criança cria uma estrutura que, no entanto, sofre variações e alterações a cada nova interpretação. A imitação é a base do trabalho de interpretação. Imitando sons vocais, corporais, ou produzidos por instrumentos musicais, as crianças preparam-se para interpretar quando, então, imitam expressivamente.




Há muito mais nos Referenciais, recomendo a leitura na íntegra. Afinal, qualidade não é só de produtos bons e sim do bom uso que faremos deles. Espero ter auxiliado em algo.

Uma homenagem feita ao meu pai

UMA JUSTA HOMENAGEM AO MEU PROFESSOR!!!!
Em minha última viagem até a cidade de São Gabriel, encontrei uma velha figura, pessoa que foi miuto importante na minha formação e pela qual guardo imenso carinho.


Utilizarei esta página e um texto que por não ter autoria sofreu algumas adaptações para que eu pudesse externar meus agradecimentos e prestar uma justa e sincera homenagem ao meu velho professor Eduardo Brandão Rocha.


As fotografias foram gentilmente cedidas pela minha amiga Susana brandão Rocha da Silva, filha do homenageado. Não precisa dizer que Susana seguiu os passos do pai e também é professôra. um abraço aos integrantes da familia Brandão Rocha.
Abaixo segue a homenagem.


Velho Professor

Como ninguém, você exerceu com maestria sua função. Você professor, foi criança e assim que nem eu, ontem você que não entendia muitas coisas, precisou se fazer entender, criar soluções.
No seu dia-a-dia a sua capacidade de amar foi colocada à disposição de todos.Quando você voltava para casa, a tarefa ainda não estava terminada, mas a sua consciência estava em paz.
Você correu em paralelo com o tempo para não ficar ultrapassado. Aceitou-se todo por dentro para mostrar a seriedade que é exigida e ainda sorrir para aqueles que precisavam de afeto.
Na sua angústia existencial ainda se propôs a ajudar a quem procurava o saber.Você avaliava. Que coisa difícil é avaliar. Aprovava , reprovava e finalmente recuperava.
Pelos caminhos da sua vida você foi encontrando tantas portas.....umas quase se fechavam, quando deveriam se abrir.
Tantas que se abriam, quando deveriam fechar-se, Portas sombrias, enferrujadas, à espera de alguém ansioso por um toque, outras escancaradas pela falta de responsabilidade e amor.
E você, passo a passo, foi contribuindo para cada uma delas.
Você transformou, iluminou, esclareceu, compreendeu, participou e venceu o desafio de transformar muitas vidas.
Todos éramos jovens àquela época, ansiávamos saber e você trouxe o conhecimento para nós.

Foi o suave mistério da sua vocação.
Como você foi importante na vida de todos nós!!!


Eduardo Brandão Rocha, meu velho professor de português. Foi emocionante reencontrá-lo, você hoje com 92 anos, reparei no brilho de seus olhos ao me enxergar. Tenho certeza que na sua lembrança passaram imagens da trajetória da sua, da minha vida e da de muitos outros que alcançaram o saber através de seus ensinamentos.

Velho Rochinha, ficam aqui registradas a imensa satisfação que tive ao reencontrá-lo e o meu agradecimento por todos os ensinamentos que me destes.

Muito obrigado, um grande abraço, e, que Deus o proteja!!!!!!!!!!!!
Postado por DAGOBERTO VALTEMAN

Aos familiares e amigos

O dia mais belo? Hoje.
A coisa mais fácil? Olhar para vocês.
O maior obstáculo? O medo.
O maior erro? Abandoná-los.
A raíz de todos os males? O egoísmo.
Os melhores professores? O tempo.
A primeira necessidade? Comunicar-se.
A maior felicidade? Ver minha família sorrindo.
O maior mistério? A morte.
O pior defeito? O mau humor.
A coisa mais perigosa? A mentira.
O pior sentimento? O rancor.
O presente mais belo? Minha família.
A sensação mais grata? Um sorriso.
O melhor remédio? O otimismo.
A maior satisfação? O dever cumprido.
A força mais potente do mundo? A fé.
As pessoas mais necessárias? Meus pais, filhos, família e amigos.
A coisa mais bela de todas?
O amor que sinto por todos da minha família.

sábado, 24 de abril de 2010

A menina bailarina

A Menina Bailarina por: Gicélia Campelo de Melo




Era sábado de manhã e eu vi
A menina bailarina
Tão linda !

Fita na cabeça
Meias cor de rosa
Cintura de menina
Tão linda
A menina bailarina.

Tão rosa devem ser os sonhos da menina
Que eu queria ser a menina bailarina
Leve, solta, menina.



As flores


As Flores por: Ana Carolina
As flores são muito bonitas, a vida delas
começa cheia de amor, anunciando que mais
uma flor chega para alegrar nossos corações.
Cada flor tem um toque especial, que é o
que as torna diferentes, um capricho a mais
da Mãe Natureza, em cada flor, ex.:
Flores vermelhas, quando as vimos pensamos em amor.
Flores amarelas, alegria.
Flores cor-de- rosa, ternura e amizade.
As flores, em cada uma está uma parte
do amor que nos compõe.
Elas nos mostram a alegria de viver.

Os animais

Os Animais por: Ana Carolina

Muita gente acha que os animais são brinquedos,
que podem se comprar e se vender,
e se ter nas mãos.

Pensam só em si,
esquecem que não só eles tem,
mas os animais também tem sentimentos.

Não só domésticos mas também selvagens,
são vendidos para zoológicos,
para viverem presos o resto da vida.

Matam animais para fazer seus negócios,
e aquela espécie chega ao fim,
atacou a extinção.

E cadê que eles se importam,
tiram da natureza,
maltratam-nos, só pensando em si.

Parece que a natureza vai sendo esvaziada,
porque o homem,
não percebe que também é um animal.

Vamos acabar com a extinção,
protegendo os animais,
do ser humano.

Alegria.
Natureza.
Incríveis.
Maravilhosos.
Amigos.
Iguais aos humanos.
Sensíveis.

As verdadeiras correntes


As Verdadeiras Correntes por: Tiago Pacheco de Moura

Quero tirar minhas correntes,
ter o nó das minhas mãos desatados,
sair desta escravidão que nos une,
apenas por não termos tentado,
Tentado não só tirar o nó e as correntes,
mas se possível cortar as mãos,
para que não vivamos amarrados neste nó
medíocre que não quer ser desatado,
vivamos sim mas sem este nó que nos faz bitolados,
amarram também nossos cérebros,
nos batizam como homens e nos amarram como animais,
vivamos então assim como animais batizados,
que vivem e morrem sem ter fome nem vontade de ter lutado.

Uma visão do futuro

Uma Visão do Futuro por: Alberto Filho


Pra mim foi um choque e uma novidade. Fiquei sabendo porque vi na Televisão. O documentário disse claramente: "Aqueles que moram no campo são menos saudáveis que os que moram nas grandes cidades". Sempre achei que fosse o contrário.
Ele explicou: "Devido a variedade de alimentos que os urbanos encontram nos grandes centros, sendo sua dieta muita rica e variada, eles crescem com saúde e completamente imunes à quase todas doenças.
Nesse ambiente seu poder de reprodução é imenso. Crescem mais rápido, e como praticamente não possuem inimigos naturais, a população aumenta como nunca a cada ano."
Na escola aprendi que apesar dessa tendência favorável era preciso ter muito cuidado com o que se come fora de casa. Muitas vezes um prato com boa aparência pode esconder perigos desconhecidos.
O lixo sempre fez parte da nossa vida. É difícil imaginar um mundo sem lixo.
É uma eterna luta das pessoas que o produzem contra os outros da limpeza urbana. Acho que um vê o outro como inimigo. Um quer limpar, outro quer sujar e deixar sujo.
Ainda bem que os que produzem lixo estão na frente e serão os vencedores.
O mundo vai virar um grande lixão. No futuro, para os seres humanos claro, paraíso ecológico será o lugar onde a camada de lixo sobre o chão for menos espessa. Será comum a frase: "Aumentou a camada de Lixo sobre a Terra!"
Mas, para nós, os Ratos, quanto mais lixo melhor...agora vou ver o último relatório sobre a Previsão do Lixo e comemorar!

Uma visão do futuro II

Uma Visão do Futuro II
por: Alberto filho

Os alimentos geneticamente modificados (os Transgênicos) foram substituídos pelos geneticamente constituídos. Quer dizer; nada mais é natural. E tem mais, é possivel escolher o sabor, dentre 250 opções, para qualquer tipo de alimento.
Muitos alimentos já vem com remédios embutidos contra a maioria das doenças. Vacina não existe mais. Antes da concepção o Pai da criança toma uma Vacina múltipla, contra 1600 tipos de enfermidades, e pronto.
Além dos alimentos Super Light, sem calorias e sem sabor, chega uma novidade; o Ultra Light. Este último, em forma de comprimidos, além de não alimentar, é ideal para quem quer perder peso. Funciona assim: A pessoa chega na farmácia e pede:
"Me dá um comprimido de 1 mês de exercícios!". Isto é a mesma coisa que correr por 3 horas, 5 dias por semana, durante um mês. Tudo isso sem cansar e efeito quase imediato. É incrível.
Um dos exemplos práticos da modificação genética dos alimentos foi a inclusão do "gene" do Inhame nos grãos de arroz. Resultado, grãos de arroz com até 5 quilos cada. Um único pé de arroz dos pequenos produz agora 1 tonelada de alimento.
Os animais e insetos também foram modificados geneticamente, não pelo homem, mas pelos alimentos Transgênicos. Também o foram os vírus e bactérias, mas isso é outro assunto.
As pessoas podem escolher a aparência e sexo dos seus filhos antes do nascimento. Então é comum em algumas cidades, encontrarmos centenas de pessoas iguais em homenagem a alguém famoso ou da moda.
Sei de um caso onde a personalidade mais importante e admirada do lugar era um personagem de um desenho animado Japonês chamada BarataMon. Assim a primeira geração de baratas humanas teve origem. Tinham uma nítida vantagem sobre os demais humanos; comiam de tudo e com isso não existia fome na comunidade, mas na cidade os chinelos estavam proibidos.
A polícia local bem que tentou, mas nunca conseguiu deter o avanço do tráfico de drogas naquele lugar. Resultado o índice de pessoas viciadas em Detefon crescia a cada ano.
Alguns ratos geneticamente modificados, que foram treinados em laboratórios secretos de pesquisa para aprenderem a ler - a idéia era usar estes animais inteligentes em espionagem industrial e na guerra - finalmente se rebelaram e fugiram para as montanhas de lixo. Nasceu assim uma nova raça; a dos Ratos falantes. Com o tempo aprenderam a andar com apenas duas pernas e passaram a conviver normalmente com os humanos.
E, da união dos humanos com os ratos nasceu o RatoMon, uma mistura de homem com rato. Nas cidades onde eram maioria, não existiam gatos. Por algum motivo que não sabiam explicar direito, não os suportavam.
Um cientista muito famoso, estudioso da evolução das espécies, chamado Charles Ratwin, chegou a conclusão que o homem na verdade descendia do rato. Disse isso baseado numa descoberda arqueológica fantástica.
Foi assim: Na África central, um pesquisador, ao cair numa caverna acidentalmente, encontrou um fóssil de rato com 2 metros de altura que segurava na mão uma mamadeira com o retrato de uma criança estampada nela. Conclusão: O fóssil era de uma rata, que dera à luz a uma criança humana e a estava alimentando quando aconteceu a catástrofe; Um cometa recheado de Racumin colidiu com a terra e exterminou 90% da população de ratos até então os dominantes do planeta.
Daí a expressão de dúvida ainda hoje muito comum: "Você é um Homem ou um Rato?"

Duas Fábulas para Crianças e Adultos


Dora Incontri
Pós-doutoranda FEUSP
Apoio Fapesp



As fábulas, os mitos, as parábolas são fecundos para impregnar de impressões positivas e provocar reflexões nas crianças (e nos adultos), numa proposta de educação para a Ética. Mas como qualquer recurso para despertar uma discussão e deixar uma semente de valor ou de idéia, devem ser contextualizados e trabalhados interdisciplinarmente.
Como exemplo, duas fábulas que foram originalmente concebidas por Esopo, transformadas em poesia por La Fontaine, e aqui estão traduzidas de forma simples e agradável para as crianças. As fábulas têm essa vitalidade permanente e atemporal, que está acima das idades e das épocas, mas para que se enraízem no coração das crianças, devem ser contadas, recontadas, discutidas, analisadas, declamadas, dramatizadas, desenhadas e recriadas, de modo que renasçam a cada instante em suas palavras e produções.
Costumo trabalhar essas fábulas, contando quem foi Esopo, falando então da Grécia Antiga, contando quem foi La Fontaine, fazendo pesquisas, mostrando figuras e olhando mapas, para identificar a França e a época desse autor e, por fim, propondo questões e produções, para que as crianças fixem na alma o que elas querem dizer.

O avarento que perdeu seu tesouro

Dinheiro só tem valor
se o usamos sabiamente.
Que adianta, tendo dinheiro,
viver miseravelmente?

A pessoa com mania
de só guardar e guardar,
é tão pobre quanto a outra
que não tem o que gastar.

Na verdade, o avarento,
de rico, vira mendigo,
como na história de Esopo,
que exemplifica o que digo.

Um infeliz avarento
o seu tesouro escondia,
não possuía seu ouro,
o ouro é que o possuía.

Cavou um buraco fundo
e enterrou todo o dinheiro
e, com ele, guardou junto
o seu coração inteiro.

Pensava nesta fortuna,
dia e noite, noite e dia,
comendo, bebendo, andando
a mente prá lá fugia.

E tanto foi ao lugar,
onde escondia o tesouro,
que um coveiro percebeu,
cavou e levou o ouro.

Noutro dia, o avarento
achou a cova vazia
e entre lágrimas, suspiros,
gritava, arfava, gemia.

Um passante quis saber
o motivo de tal choro.
O avarento respondeu:
– Roubaram o meu tesouro.

Ué! –Tornou o passante
Pois não há nenhuma guerra,
por que escondê-lo longe,
embaixo de tanta terra?

Não era melhor guardá-lo
com você, no próprio quarto,
usando a todo o momento
deste dinheiro tão farto?

– A todo momento?! Ó deuses!
Gritou o nosso pão-duro –
Nunca toquei no tesouro,
estava aqui, bem seguro!

O passante disse então:
– Se o ouro a nada servia,
guarde uma pedra na cova,
será de igual serventia!


O Leão e o Rato

É bom sempre que se possa
a todo mundo ajudar,
pois mesmo dos pequeninos
poderemos precisar!

Desta verdade bem certa
esta história vai falar,
mostrando como ela vale
em qualquer tempo ou lugar!

Um dia, um pobre ratinho
se viu aterrorizado
entre as patas de um leão…
E achou: “serei devorado”.

Mas neste dia o leão
generoso, deu-lhe a vida,
deixou o rato ir embora
sem dele fazer comida!

Esta bondade leonina
o rato iria pagar!
Mas um leão poderia
de um ratinho precisar?

Pois foi o que aconteceu:
um belo dia o leão
foi preso por grossa rede,
rugindo em grande aflição!

Senhor rato o socorreu
usando o pequeno dente,
paciente roeu a rede
livrando o leão valente!

Assim, pequenino e fraco
pagou o seu benfeitor.
Mostrou que a força não vale
tanto quanto vale o amor!



O que é filosofia?

Dora Incontri

O que é filosofia?
Perguntam todos perplexos.
Será um monte de livros,
Com discursos desconexos?

Será um bicho difícil,
que pode nos devorar,
se não formos muito espertos,
para a resposta encontrar?

Na filosofia mesmo,
nada deve ser complexo,
podemos fazê-la fácil,
numa lógica com nexo.

Filosofia é uma forma
de perguntar as questões,
que mais afligem o homem,
que mais nos dão comichões.

É perguntar sobre a vida
querer saber sobre a morte,
é um olhar para o universo
é um indagar sobre a sorte…

Filosofia faz parte
da vida de cada dia
porque pergunta os porquês
que a nossa razão afia.

Filósofo é qualquer um
que pára à beira da estrada
para pensar sobre as coisas
e ver que não sabe nada.

Filósofo deve ser
quem não quiser vegetar,
passando a vida sem rumo
sem um sentido encontrar.

Portanto filosofemos,
buscando sabedoria,
pois num bom filosofar,
teremos mais harmonia.

sábado, 20 de março de 2010

O coelhinho que não era de Páscoa



Ruth Rocha

Vivinho era um coelhinho. Branco, redondo, fofinho. Todos os dias Vivinho ia à escola com seus irmãos. Aprendia a pular, aprendia a correr... Aprendia qual a melhor couve para se comer. Os coelhinhos foram crescendo, chegou a hora de escolherem uma profissão. Os irmãos de vivinho já tinham resolvido:- Eu vou ser coelho de Páscoa como meu pai.- Eu vou ser coelho de Páscoa, como o meu avô.- Eu vou ser coelho de Páscoa como meu bisavô.E todos queriam ser coelhos de Páscoa,como o trisavô, o tataravô, como todos os avôs. Só Vivinho não dizia nada.
Os pais perguntavam, os irmãos indagavam:- E você Vivinho, e você?- Bom – dizia Vivinho – eu não sei o que quero ser.Mas sei o que não quero: Ser coelho de Páscoa.O pai de Vivinho se espantou, a mãe se escandalizou e desmaiou:- OOOOOHHHHH!!!Vivinho arranjou uma porção de amigos:O beija-flor Florindo, Julieta a borboleta, e a abelha Melinda.
- Onde é que já se viu coelho brincar com abelha?- Os irmãos de Vivinho diziam.Os pais de Vivinho se aborreciam:- Um coelho tem que ter uma profissão.Onde é que nós vamos parar com essa vadiação?
- Não se preocupem – Vivinho dizia – estou aprendendo uma ótima profissão.- Só se ele está aprendendo a voar – os pais de Vivinho diziam.- Só se ele está aprendendo a zumbir – os irmãos de Vivinho caçoavam.Vivinho sorria e saía, pula, pulando para se encontrar com seus amigos.O tempo passou. A Páscoa estava chegando.Papai e Mamãe Coelho foram comprar os ovos para distribuir.Mas as fábricas tinham muitas encomendas.
Não tinham mais ovinhos para vender.Em todo lugar a resposta era a mesma:- Tudo vendido. Não temos mais nada...O casal Coelho foi a tudo que foi fabrica da floresta.Do seu Antão, do seu João, do seu Simão, do seu Veloso, do seu Matoso,do seu Cardoso, do seu Tônio, do seu Petrônio, seu Sinfrônio.Mas a resposta era sempre a mesma:- Tudo vendido seu Coelho, tudo vendido...
Os dois voltaram pra casa desanimados.- Ora essa. Isso nunca aconteceu...- Não podemos despontar as crianças...- Mas nós já fomos a todas as fábricas. Não tem jeito, não...Os irmãos do coelhinho estavam tristes:- Nossa primeira distribuição... Ai que tristeza no coração!...
Vivinho vinha chegando com Melinda.- Por que não fazemos os ovos nós mesmos?- É que nós não sabemos.
Coelho de Páscoa sabe distribuir ovos. Não sabe fazer!
- Pois eu sei – disse Vivinho- Eu sei.- Será que ele sabe? – disse o Pai?- Ele disse que sabe – disseram os irmãos.- Ele sabe, ele sabe – disse a mãe.- E como você aprendeu? – perguntaram todos.- Com meus amigos. Eu não disse que estava aprendendo uma profissão?Pois eu aprendi a tirar o pólen das flores com Julieta e Florindo.E Melinda é a maior doceira do mundo. Me ensinou a fazer tudo o que é doce...A casa da família Coelho virou uma verdadeira fábrica.Todos ajudavam: Papai Coelho, Mamãe Coelha e os coelhinhos...e os amiguinhos também:florindo o beija-flor, a borboleta Julieta e
a abelha Melinda, a maior doceira do mundo.E era Vivinho quem comandava o trabalho.E quando a Páscoa chegou, estavam todos preparados.As cestas de ovos estavam prontas.
E os pais de Vivinho estavam contentes.A mãe de vivinho disse:- Agora, nosso filho tem uma profissão.E o pai de Vivinho falou:- Cada deve seguir a sua vocação...

A lenda da Páscoa


Perto da casa do menino JESUS, havia uma árvore, onde um passarinho fizera seu ninho e pusera três ovinhos. Todos os dias, Jesus olhava a feliz mamãe PASSARINHO.
Uma bela manhã, Jesus acordou ouvindo o passarinho piar aflito. Que seria?
Aproveitando um descuido do passarinho, a RAPOSA viera e levara os ovinhos.
Jesus ficou triste e começou a chorar.
Nisto, passou um GATO. Viu Jesus chorando e perguntou:
- Por que choras, Jesus?
- Tiraram os ovinhos do passarinho...
- Miau, miau, nada posso fazer - e lá se foi.
Abanando a cauda, chegou um CACHORRINHO.
- Por que choras Jesus?
- Levaram os ovinhos do passarinho...
- Au, au, que pena... - e foi embora.
Então, aos pulinhos, com suas orelhas compridas, apareceu o COELHINHO.
- Por que choras, Jesus?
- Levaram os ovinhos do pobre passarinho...
- Não chore mais, vou procurar os ovinhos!
Foi logo bater na casa da RAPOSA.
- Queres os ovos? Meus filhos já comeram - batendo a porta furiosa.
O COELHO teve uma idéia. Visitou três passarinhos e pediu, a cada um, um ovinho para Jesus. Arrumou os ovos numa CESTINHA e levou-os ao menino Jesus, que enxugou as lágrimas e falou:
- Só você, coelho, teve pena de mim e do passarinho. Pois de agora em diante, como recompensa, levará lindos ovos às crianças e fará isso todos os anos, quando chegar a Páscoa.
E foi assim que o coelhinho ficou encarregado de distribuir ovos às crianças de todo o mundo...

terça-feira, 16 de março de 2010

A IDADE DE SER FELIZ

Existe somente uma idade para ser feliz.
Somente uma época na vida de cada pessoa em que pe possível sonhar e fazer planos.
Ter bastante energia para viver, apesar de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida, viver alegremente e desfrutar tudo com toda intensidade.Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem, sorrindo, cantando, brincando e dançando.Vestir-se com todas as cores sem preconceito nem pudor.Tempo de entusiasmo e de coragem, em que todo desafio é um convite a lutar com muita disposição de se tentar algo de novo e quantas vezes for preciso.
Essa idade de chama PRESENTE e é tão passageira que tem apenas a duração do instante que passa. Aproveite o máximo cada instante da sua vida, com muita disposição e alegria.
Crie em sua vida motivos suficientes para ser verdadeiramente feliz, seja qual for sua idade!!!

RUBEM ALVES



Se eu fizer os exames vestibulares, não passarei.
E se o novo reitor da UNICAMP fizer os vestibulares, não passará.
Se o Ministro da Educação fizer os vestibulares, não passará.
Se os professores das universidades fizerem os vestibulares, não passarão.
Se os professores dos cursinhos que preparam os alunos para passar nos vestibulares fizerem os vestibulares, não passarão (cada professor só passará na disciplina em que é especialista...).
Se aqueles que preparam as questões para os vestibulares fizerem os vestibulares, não passarão.
Então me digam, por favor: por que é que os jovens adolescentes têm de passar no vestibular?
Os vestibulares são um desperdício de tempo, de dinheiro, de vida e de inteligência.
Passados os exames, a memória (inteligente) se encarrega de esquecer tudo.
A memória não carrega peso inútil. "

Rubem Alves Conversas com quem gosta de Ensinar!
"Não sei como preparar o educador.Talvez poruqe isso não seja possível nem necessário,nem possiível...
É necessário acordá-lo.E aí aprenderemos que educadores não se estinguiram como tropeiros e caixeiros. Poruqe, talvez,nem caixeiros e tropeiros tenham desaparecido,mas permaneçam como memórias de um passado que está mais próximo do nosso futuro que o ontem.
Basta que os chamemos de seu sono,por um ato de amor e coragem. E talve,acordados,repetirão o milagre da instauração de novos mundos."
O PINTASSILGO E AS RÃS - Rubem Alves
Num lugar muito longe daqui, havia um poço fundo, abandonado e escuro que alguém cavara, muitos e muitos anos atrás, não se sabe bem para que. Lá dentro se alojou um bando de rãs. As primeiras a entrar pensaram que aquele era um local bom de se viver, protegido, úmido, gostoso. De um pulo caíam lá dentro. Só que não perceberam que pular no buraco é fácil. O difícil é pular para fora dele. O poço era fundo demais e elas nunca mais puderam sair. Ficaram vivendo lá dentro. Casaram-se; tiveram filhos, multiplicaram-se. As mais velhas ainda se lembravam da beleza do mundo de fora e morriam de saudades. Contavam estórias para seus filhos e netos.-- Quando eu era jovem, e ainda não tinha caído neste buraco... Era assim que sempre começavam. A princípio, a meninada parava para ouvir e gostava. "Estórias da carochinha", eles diziam. O fato é que nunca haviam estado do lado de fora, e pensavam que as tais estórias não passavam de invenções de seus avós já caducos. O tempo passou, os velhos morreram, e até mesmo essas estórias foram esquecidas. As novas gerações foram educadas segundo novos princípios pedagógicos, currículos adequados à realidade, o que importa é passar no vestibular, e acabaram por acreditar que o seu buraco era tudo o que existe no universo. Isto era cientifico, resultado da rigorosa análise material do seu mundo. O real era um cilindro oco e profundo, onde a água, a terra e o ar se combinavam para formar tudo o que existia. As rãzinhas aprendiam que o seu era o melhor dos mundos e, na escola, aprendiam a recitar:"Rãzinha, não verás buraco algum como esteAma, com orgulho, o buraco em que nasceste..."A vida, lá dentro, era como a vida em todo lugar. Havia as rãs fortes e truculentas. Elas mandavam nas outras que eram fracas e tinham de obedecer e trabalhar dobrado. Os insetos mais gostosos iam sempre para as mais fortes. As rãs oprimidas achavam, com toda a razão, que isto era uma injustiça. E, por isso mesmo, preparavam-se para uma grande revolução que poria fim a esse estado de coisas. Quando a classe dominante fosse derrubada, a vida no fundo do poço ficaria democrática e os insetos seriam distribuídos com justiça...Se o buraco não era tão bom quanto cantava a poesia (assim diziam os ideólogos da revolução), era porque ele estava dominado pelas rãs fortes...Aconteceu, entretanto, que um pintassilgo que voava por ali viu a boca do poço. Ficou curioso e resolveu investigar. Baixou o vôo e entrou nas profundezas. Qual não foi a sua surpresa ao descobrir as rãs! Mas mais perplexas ficaram elas ante a presença daquela estranha criatura. A simples presença do pintassilgo punha em questão todas as teorias sobre o mundo, pois que dele não havia registro algum em seus arquivos históricos. O pintassilgo morreu de dó ao ver as pobres rãs, prisioneiras daquele buraco fétido e escuro, sem nada saber do lindo mundo que havia fora do poço. Como é que elas podiam viver ali dentro, sem nunca pensar em sair? Claro que para se planejar sair é preciso acreditar que existe um "lá fora". Mas as rãs sabiam que um "lá fora" não existia, pois os limites do seu buraco eram os limites do universo.O pintassilgo resolveu contar-lhes como era o mundo de fora. E se pôs a cantar furiosamente. Queria ajudar as pobres rãs...Trinou flores, campos verdes, riachos cristalinos, lagoas, insetos de todos os tipos, sapos de outras raças e outros coaxares, bichos os mais variados, o sol, a lua, as estrelas, as nuvens.As rãs ficaram em polvorosa e logo se dividiram.Algumas acreditaram e começaram a imaginar como seria lá fora. Ficaram mais alegres e até mesmo mais bonitas. Coaxaram canções novas. E começaram a fazer planos para a fuga do poço. Desinteressaram-se das esperanças políticas antigas.-- Não, não queremos democratizar o fundo do poço. Queremos é sair dele... Preferimos ser gente simples lá fora, onde tudo é bonito, a ser elite dominando aqui dentro, onde tudo é escuro e fedido...As outras fecharam a cara e coaxaram mais grosso ainda. Não acreditaram...O pintassilgo resolveu, então, trazer provas do que dizia. Chamou abe-lhas, com mel. Convidou borboletas coloridas. Trouxe flores perfumadas...Mas tudo foi inútil para os que não queriam acreditar.-- Este bicho é um grande enganador, eles diziam. Sabemos que estas coisas não existem. Aprendemos em nossas escolas...O rei reuniu seus generais e ponderou que as idéias do pintassilgo eram politicamente perigosas. As rãs estavam perdendo o interesse pelo trabalho. Produziam menos. Com isto havia menos recursos para as despesas do Estado, especialmente uma ferrovia que se pretendia construir, ligando um lado do poço ao outro. Trabalhavam menos, coaxavam mais. Claro que as palavras do pintassilgo só podiam ser mentiras deslavadas, intrigas de oposição...Os revolucionários, igualmente, puseram o pintassilgo de quarentena, pois o seu canto enfraquecia politicamente as rãs dominadas, que agora estavam mais interessadas em sair que em revolucionar o poço.As rãs intelectuais, por sua vez, se puseram a fazer a análise filosófica, ideológica e psicanalítica da fala do pintassilgo. O seu relatório foi longo. Nele concluíram que:de um ponto de vista filosófico, faltava rigor ao discurso do pássaro, pois ele mais se aproximava da poesia que da ciência;de um ponto de vista ideológico, tratava-se de um discurso alienado, no qual não se fazia nem mesmo uma análise crítica das condições objetivas da sociedade ranal;de um ponto de vista psicanalítico, era óbvio que o pintassilgo sofria de perigosas alucinações que, dado o seu conteúdo, poderiam se transformar num fenômeno de massas.Observaram, finalmente, que dadas as evidências, o pintassilgo se constituía num grave perigo tanto para a cultura como para as instituições do mundo das rãs. E com isto pediam das pessoas de boa vontade e responsabilidade as providências devidas para erradicar o mal.O manifesto das rãs foi acolhido unanimemente tanto pelos líderes da direita como pelos líderes da esquerda pois, para além de suas discordâncias conjunturais, estava seu compromisso comum com o bem-estar e a tranquilidade da família ranal.Por ocasião da próxima visita do pintassilgo, ele foi preso, acusado de enganador do povo, morto, empalhado e exposto no Museu de História.Quanto às rãs, foram para sempre proibidas de coaxar as canções que o pintassilgo lhes ensinara.Um aluninho-rã, que visitava o museu, perguntou à sua professora:-- Que é aquilo, professora?-- É um pintassilgo, ela respondeu.-- E que coisas estranhas são aquelas nas suas costas?, ele perguntou. -- São asas...-- E para que servem?, ele insistiu.-- Para voar...-- E nós voamos?-- Não, respondeu a professora. Nós não voamos. Nós pulamos...
E não seria melhor voar?A professora compreendeu então, com um discreto sorriso, que um pintassilgo, mesmo empalhado, nunca seria esquecido.

domingo, 14 de março de 2010

A mala de viagem

Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.
Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou:
- Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?
- É estranho, respondeu o viajante, mas eu nunca
tinha realmente notado que a carregava.
Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.
Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou:
- Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada?
- Estou contente que me tenha feito essa pergunta, disse o viajante, porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo.
Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves. Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal.
Qual era na verdade o problema dele? - A pedra e a abóbora? Não! Era a falta de consciência da existência delas. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão cansadas!
O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de um homem e que roubam as suas energias?
- Pensamentos negativos. - Culpar e acusar outras pessoas. - Permitir que impressões tenebrosas descansem na mente. - Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ter evitado.
- Auto-piedade. - Acreditar que não existe saída.
Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia. Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.

As três peneiras


Olavo foi transferido de projeto. Logo no primeiro
dia, para fazer média com o novo chefe, saiu-se com
esta:

Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a
respeito do Silva. Disseram que ele...

Nem chegou a terminar a frase, Juliano, o chefe,
apartou:
Espere um pouco, Olavo. O que vai me contar já
passou pelo crivo das três peneiras?

Peneiras? Que peneiras, chefe?

A primeira, Olavo, é a da VERDADE. Você tem certeza
de que esse fato é absolutamente verdadeiro?

Não. Não tenho, não. Como posso saber? O que sei foi
o que me contaram. Mas eu acho que...
E, novamente, Olavo é interrompido pelo chefe:

Então sua historia já vazou a primeira peneira.
Vamos então para a segunda peneira que é a da BONDADE.
O que você vai me contar, gostaria que os outros
também dissessem a seu respeito?

Claro que não! Deus me livre, chefe! - diz Olavo,
assustado.

Então - continua o chefe - sua história vazou a
segunda peneira. Vamos ver a terceira peneira, que é a
da NECESSIDADE. Você acha mesmo necessário me contar
esse fato ou mesmo passá-lo adiante?

Não, chefe. Passando pelo crivo dessas peneiras, vi
que não sobrou nada do que eu iria contar - fala
Olavo, surpreso.

Pois é, Olavo, já pensou como as pessoas seriam mais
felizes se todos usassem essas peneiras? - diz o
chefe, prosseguindo - Da próxima vez em que surgir um
boato por aí, submeta-o ao crivo destas três peneiras:
VERDADE, BONDADE e NECESSIDADE, antes de obedecer ao
impulso de passá-lo adiante, porque pessoas
inteligentes falam sobre idéias, pessoas comuns falam
sobre coisas, pessoas medíocres falam sobre pessoas.

A fábula do rei e suas 4 esposas

Era uma vez... um rei que tinha 4 esposas.

Ele amava a 4ª esposa demais, e vivia dando-lhe lindos presentes, jóias e roupas caras. Ele dava-lhe de tudo e sempre do melhor.

Ele também amava muito sua 3ª esposa e gostava de exibi-la aos reinados vizinhos.

Contudo, ele tinha medo que um dia, ela o deixasse por outro rei.

Ele também amava sua 2ª esposa.

Ela era sua confidente e estava sempre pronta para ele, com amabilidade e paciência. Sempre que o rei tinha que enfrentar um problema, ele confiava nela para atravessar esses tempos de dificuldade.

A 1ª esposa era uma parceira muito leal e fazia tudo que estava ao seu alcance para manter o rei muito rico e poderoso, ele e o reino.

Mas, ele não amava a 1ª esposa, e apesar dela o amar profundamente, ele mal tomava conhecimento dela.

Um dia, o rei caiu doente e percebeu que seu fim estava próximo.

Ele pensou em toda a luxúria da sua vida e ponderou: É, agora eu tenho 4 esposas comigo, mas quando eu morrer, com quantas poderei contar?

Então, ele perguntou à 4ª esposa:

Eu te amei tanto, querida, te cobri das mais finas roupas e jóias. Mostrei o quanto eu te amava cuidando bem de você. Agora que eu estou morrendo, você é capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho?

De jeito nenhum! respondeu a 4ª esposa, e saiu do quarto sem sequer olhar para trás.

A resposta que ela deu cortou o coração do rei como se fosse uma faca afiada.

Tristemente, o rei então perguntou para a 3ª esposa:

Eu também te amei tanto a vida inteira. Agora que eu estou morrendo, você é capaz de morrer comigo, para não me deixar sozinho?

Não!!!, respondeu a 3ª esposa.

A vida é boa demais!!! Quando você morrer, eu vou é casar de novo.

O coração do rei sangrou e gelou de tanta dor.

Ele perguntou então à 2ª esposa:

Eu sempre recorri a você quando precisei de ajuda, e você sempre esteve ao meu lado. Quando eu morrer, você será capaz de morrer comigo, para me fazer companhia?

Sinto muito, mas desta vez eu não posso fazer o que você me pede! respondeu a 2ª esposa.

O máximo que eu posso fazer é enterrar você! Essa resposta veio como um trovão na cabeça do rei, e mais uma vez ele ficou arrasado.

Daí, então, uma voz se fez ouvir:

Eu partirei com você e o seguirei por onde você for... O rei levantou os olhos e lá estava a sua 1ª esposa, tão magrinha, tão mal nutrida, tão sofrida...

Com o coração partido, o rei falou:

Eu deveria ter cuidado muito melhor de você enquanto eu ainda podia...

Na verdade, nós todos temos 4 esposas nas nossas vidas...

Nossa 4ª esposa é o nosso corpo.

Apesar de todos os esforços que fazemos para mantê-lo saudável e bonito, ele nos deixará quando morrermos...

Nossa 3ª esposa são as nossas posses, as nossas propriedades, as nossas riquezas. Quando morremos, tudo isso vai para os outros.

Nossa 2ª esposa são nossa família e nossos amigos. Apesar de nos amarem muito e estarem sempre nos apoiando, o máximo que eles podem fazer é nos enterrar...

E nossa 1ª esposa é a nossa ALMA, muitas vezes deixada de lado por perseguirmos, durante a vida toda, a Riqueza, o Poder e os Prazeres do nosso Ego...

Apesar de tudo, nossa Alma é a única coisa que sempre irá conosco, não importa aonde formos...

Então...

Cultive...

Fortaleça...

Bendiga...

Enobreça...

sua Alma agora!!!

É o maior presente que você pode dar ao mundo...

e a si mesmo.

Deixe-a brilhar!!!


O sonho dos ratos


Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do soalho de uma velha casa. Havia ratos de todos os tipos, grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, do campo e da cidade. Mas ninguém ligava às diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: Um Queijo Enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo, era a suprema felicidade. Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava muito longe, porque entre ele e os ratos estava um gato. O gato era malvado, tinha os dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes, fingia dormir, mas bastava que um ratinho, mais corajoso, se aventurasse para fora do buraco, para que o gato desse um pulo e… era uma vez um ratinho!
Os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum tornava-os cúmplices de um mesmo desejo: A Morte do Gato!

Como nada podiam fazer, reuniam-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem…), e chegaram mesmo a escrever livros com crítica filosófica sobre gatos.
Diziam que, um dia chegaria, em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais.”Quando se estabelecer a ditadura dos ratos”, diziam, “então todos seriam felizes”…
- O queijo é grande o bastante para todos, diziam uns.
- Socializaremos o queijo, diziam outros.
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bom quando o gato morresse, sonhavam eles. Nos seus sonhos, comiam o queijo e quanto mais o comiam, mais ele crescia. porque essa era a principal característica dos queijos imaginados… Não diminuem…crescem sempre! E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: ” Ao queijo, já!”…
Sem que ninguém pudesse explicar como, o facto é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha desaparecido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar apenas uns passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era! O gato tinha desaparecido mesmo.
Chegara o dia glorioso! E dos ratos surgira um brado retumbante de alegria. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. E foi então que a transformação aconteceu!
Bastou a primeira mordidela. Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem. Assim, quanto maior for o número de ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Os ratos começaram a olhar uns para os outros, como se de inimigos se tratassem. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram…Arreganharam os dentes…Esqueceram-se do gato. Passaram a ser os seus próprios inimigos.
A luta começou! Os mais fortes expulsaram os mais fracos, à dentada. E, acto contínuo, começaram a lutar entre si. Alguns ameaçaram chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a Ordem. O Projecto de Socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:
“Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários, para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”. Mas, como jamais rato algum abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar à espera…Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que tinha acontecido. O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o estilo do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra…
Os ratos magros não conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo o Rato que fica Dono de Queijo torna-se Gato! Não é por acaso que os nomes são tão parecidos.