terça-feira, 27 de julho de 2010

É possível sair de depressão sem tomar medicamentos?




É possível sair de depressão sem tomar medicamentos?
por Joel Rennó Jr.

Resposta: As pessoas usam o termo depressão com vários sentidos. Temos que ter muito cuidado com tais definições.

"Quando o diagnóstico de "depressão maior" é bem realizado, o uso de antidepressivos é fundamental. A psicoterapia interpessoal, comportamental e cognitiva, entre outras, também é importante" Depressão para as pessoas leigas pode significar um sentimento temporário de tristeza ou luto, reativo a alguma perda afetiva ou financeira, frustração, desilusão, doença, incapacitação ou baixa autoestima.
Muitas pessoas (até bem intencionadas) falam que tiveram depressão e se julgam no direito de dar orientações, sem estarem preparadas para isso. Falam que simples medidas podem eliminar a depressão, como se a depressão fosse igual para todos. Será que realmente tiveram a doença depressiva na sua essência, bem diagnosticada pelo psiquiatra?
Portanto, em primeiro lugar, precisamos saber se a depressão a que todos se referem é a doença ou transtorno mental conhecido como "depressão maior" diagnosticado pelo especialista que é o psiquiatra.
Na doença depressiva ("episódio depressivo maior") há sintomas como tristeza, desânimo, humor deprimido, anedonia (perda de prazer ou interesse por atividades cotidianas), pensamentos negativos (morte, culpa, ruína, menos valia), diminuição da atenção/concentração com prejuízos de memória, lentificação psicomotora ou até, pelo contrário, agitação, além das alterações do sono e apetite. Tais sintomas têm que estar presentes por pelo menos duas semanas, na maior parte dos dias, causando grande sofrimento e incapacitação.
Quando o diagnóstico de depressão maior é bem realizado, o uso de antidepressivos é fundamental. A psicoterapia interpessoal, comportamental e cognitiva, entre outras, também é importante. Práticas complementares de atividades físicas, atividades de lazer, yoga, meditação e até acupuntura (de acordo com o interesse de cada indivíduo) ajudam, porém, nos casos mais leves.
Indico tais atividades complementares aos meus pacientes, porém, não podemos deixar de fornecer também os recursos médicos com comprovações científicas. Muitos quadros de depressão são subtratados, havendo persistência de sintomas residuais - principal fator de recorrências ou cronificação da doença depressiva; isso pode se tornar muito sério.
Cabe lembrar que a depressão é uma doença com componentes biológicos, psicológicos e sociais. É complexa e heterogênea, completamente diferente entre os diferentes indivíduos, com níveis de gravidade variáveis. Não há fórmulas mágicas ou verdades absolutas.









Fatores prejudiciais à saúde mental da mulher aliados ao ciclo reprodutivo

   
Fatores prejudiciais à saúde mental da mulher aliados ao ciclo reprodutivo

por Joel Rennó Jr.

O psiquiatra Prof. Dr. Joel Rennó Jr. que colabora no Vya Estelar há cinco anos, esclarece os principais pontos da saúde mental da mulher aliados ao seu ciclo reprodutivo. Esse é o tema de seu primeiro livro Mentes Femininas - A saúde mental ao alcance da mulher - que será lançado no dia 18 de novembro em São Paulo -
O objetivo deste livro é auxiliar e ensinar todas as mulheres sobre a saúde feminina. Como alguns problemas surgem e o que fazer para evitá-los. E, se surgirem, como curá-los e a quem procurar. O livro trata de assuntos como TPM, menopausa, ansiedade, depressão entre muitos outros. Leia mais - clique aqui

Entrevista 

Vya Estelar - Por que o senhor decidiu escrever um livro unindo os focos saúde da mental da mulher aliado ao seu ciclo reprodutivo?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – Porque na minha prática clínica de 15 anos, atuando especificamente nesta área de conhecimento médico, acompanhando também as principais publicações científicas, observei que os hormônios e suas respectivas variações em períodos críticos do ciclo reprodutivo feminino como o pré-menstrual, o pós-parto e a perimenopausa podem contribuir para o desencadeamento de transtornos depressivos e ansiosos em mulheres.
TPM - Outro fato comum é a piora de algumas doenças como epilepsia, enxaqueca, alcoolismo, fibromialgia e bulimia na semana que antecede a menstruação. Portanto, o humor, o comportamento feminino e até mesmo algumas doenças clínicas sofrem influências significativas das peculiaridades do ciclo reprodutivo feminino.
Vya Estelar – Qual é a função do hormônio estrógeno ou estrogênio? A queda desse hormônio afeta a saúde mental da mulher?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – O estrógeno é um hormônio sexual feminino produzido nos ovários, embora pequenas quantidades dele sejam produzidas na adrenal (glândula que fica no pólo do rim).
O estrógeno promove o desenvolvimento das características sexuais secundárias como o desenvolvimento das mamas. O estrógeno age na mulher desde o intraútero, durante o desenvolvimento da gestação, organizando a arquitetura do cérebro feminino e sua ação continua na puberdade influenciando o humor e o comportamento; através da interação com receptores (proteínas) localizados na superfície dos neurônios que sintetizam e regulam a liberação de neurotransmissores (mensageiros químicos cerebrais) como serotonina, noradrenalina, etc. Sua ação em nível de SNC é marcante, tanto em nível estrutural quanto funcional. Leva até a alterações na forma como os neurônios estabelecem novas sinapses (comunicações).
O volume de neurônios do hipocampo (região da memória) aumenta sob a influência do estrógeno.
Estrógeno e saúde mental - A ação do estrógeno no SNC, regulando vários neurotransmissores diferentes, pode explicar por que a sua queda pode causar depressão, por exemplo, em mulheres vulneráveis.
Vya Estelar – A TPM de fato causa todo esse “estrago” afetando o comportamento de forma drástica ou a própria TPM pode ser usada por algumas mulheres como uma “muleta psíquica” para justificar atitudes impulsivas, impensadas ou que não sejam politicamente corretas?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. - Na nossa sociedade, a TPM ainda é envolvida por muitos mitos e preconceitos. Apesar da maioria das mulheres apresentar a forma leve de TPM que melhora com mudanças de hábitos alimentares, atividades físicas e comportamentos, não podemos nos esquecer que os sintomas psíquicos graves ocorrem no universo de 3% a 9% das mulheres.
TPM grave
A TPM grave é conhecida como transtorno disfórico pré-menstrual, gera prejuízos sóciofuncionais significativos e muito sofrimento.
TPM grave - A impulsividade, a tristeza e a irritabilidade são sintomas marcantes e precisam ser tratados com antidepressivos serotoninérgicos (que aumentam a disponibilidade de serotonina no sistema nervoso central)
Infelizmente, até mesmo alguns médicos ginecologistas ainda não acreditam nessa hipótese, mas realmente ela existe e precisa ser encarada com embasamento científico.
Vya Estelar – Como a mulher atual encara a gestação? É um processo tranqüilo? Ou cada caso é um caso?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – A gestação costuma ter diferentes significados e representações para as mulheres. As percepções variam individualmente, algumas mulheres com mecanismos psicológicos neuróticos têm até uma exacerbação das angústias e neuroses durante a gestação.
Posso dizer que a gestação leva a mulher a reviver seus relacionamentos e suas vivências de filha (agora em outro papel) de uma forma positiva ou negativa, dependendo do seu histórico de vínculos afetivos e características de sua personalidade. Na gestação, a fragilidade de alguns relacionamentos conjugais ou familiares pode também se exacerbar.
Para algumas mulheres, torna-se um sinal de invasão e até desconfiguração do seu corpo e de sua vida. Isso não é para denegrir esta maravilhosa fase de vida da mulher, mas para deixar claro, sem preconceitos e com dados clínicos e científicos substanciais, que as vivências podem ser muito distantes daquele modelo mágico e idealizado de felicidade universal obrigatória.
Cerca de 10% a 20% das gestantes têm depressão, o que é ignorado nos exames de pré-natal.
Vya Estelar – Em caso de depressão ou mesmo tristeza durante a gestação, qual deve ser o procedimento?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – O tratamento deve ser realizado quando o diagnóstico psiquiátrico detectou a doença depressão. É claro que isso precisa ser feito por um especialista e com todos os cuidados envolvidos, avaliando-se os riscos e benefícios envolvidos. Alguns antidepressivos podem ser utilizados.
A depressão pode prejudicar o desenvolvimento do feto e levar a um bebê prematuro, com baixo peso, caso não seja tratada.
Vya Estelar – Por que parte das mulheres tem depressão pós-parto? Como saber se está com essa depressão?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – O fator biológico, devido à queda abrupta dos hormônios sexuais femininos, é a principal hipótese. Outros fatores de risco envolvem gravidez não planejada, conflitos conjugais, violências domésticas, antecedentes pessoais e familiares de depressão, uso de álcool e drogas na gestação, depressão na gestação que não foi tratada e idade (adolescentes podem ter taxas mais elevadas que a de mulheres adultas).
A depressão pós-parto ocorre em 15% a 20% das mulheres.
Depressão pós-parto: diagnóstico e sintomas
O diagnóstico de depressão pós-parto envolve a análise dos mesmos sinais e sintomas da depressão maior em outros períodos de vida da mulher: tristeza, desânimo, cansaço, fadiga, humor deprimido, pensamentos negativos (culpa, morte, ruína, menos-valia), indiferença ou rejeição à criança, anedonia (perda de prazer ou interesse pelas atividades habituais), alterações de atenção/concentração, alterações do sono e apetite e até ideação suicida.
Depressão pós-parto - Tais sintomas devem estar presentes por pelo menos duas semanas, na maior parte dos dias, com grandes prejuízos sóciofuncionais e sofrimento.
Reitero a importância de uma avaliação psiquiátrica, porque há diferentes subtipos de depressão. Muito cuidado para também se descartar quadros orgânicos que possam levar a sintomas depressivos como o *hipotireoidismo.
Vya Estelar – De que forma o climatério afeta o comportamento feminino?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – Na realidade, o climatério vai de 40 anos até 65 anos de idade (transição entre a vida reprodutiva e a **senescência). O período crítico é a perimenopausa (início por volta dos 45 anos e termina até um ano após a menopausa, por volta dos 51 anos de idade).
Perimenopausa: sintomas
A perimenopausa é caracterizada por oscilações dos níveis hormonais, sintomas físicos (dores e ondas de calor) e sintomas psíquicos (tristeza, irritabilidade, depressão e ansiedade). A perimenopausa, mesmo em mulheres sem histórico de depressão, é um fator de risco para a depressão, aumentando a chance em duas vezes.
Vya Estelar – De que forma a infertilidade por parte da mulher ou do cônjuge afeta a sua saúde mental?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – A infertilidade, através da realização de sucessivos tratamentos, pode gerar angústia, ansiedade e depressão. Há muitas expectativas, muitas cobranças (sociais e familiares) e subjetivas nesta área delicada da dinâmica do casal. Aqui, novamente, os papéis individuais, a cumplicidade do casal são expostos a uma série de provas.
Os tratamentos costumam ser dificeis para algumas mulheres, gerando frustrações quando as tentativas fracassam. O contexto amplo do universo de vida de cada mulher infértil precisa ser analisado cuidadosamente, assim como de seu marido.
Diferentes significados e simbolismos advêm dessa análise pormenorizada. A psicoterapia de suporte é a primeira opção, deve fornecer recursos para essa mulher aprender a lidar com os fatores estressores específicos para ela e para o marido. O tratamento deve envolver o casal. Em algumas situações, o uso de medicamentos pode ser necessário.
Vya Estelar – Como o senhor trata as questões de anorexia, culto à magreza, dietas absurdas, consumo de anfetaminas?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – Na realidade, são assuntos muito amplos e complexos, onde se requer uma análise individualizada.
As áreas médicas devem se integrar às questões sociais e culturais que envolvem o universo de vida das mulheres.
As mulheres que usam anfetaminas podem ser anoréxicas (que têm uma distorção de imagem corporal, emagrecimento excessivo, rígido e progressivo controle da dieta, ou seja, um transtorno alimentar grave), mas também podem ser mulheres normais em busca de um padrão corporal idealizado ou estimulado socialmente.



Conheço muitas mulheres que buscam ser magras porque se sentem rejeitadas ou com baixa auto-estima e até se dispõem a buscar todos os recursos (mesmo os arriscados) para conseguir tais objetivos. Obtêm medicamentos em Internet ou são influenciadas em academias de ginástica.
Algumas mulheres precisam ser magras por causa de suas profissões, carreiras e casamentos. Não podemos também nos esquecer que muitas mulheres tomam anfetaminas achando que estão tomando “produtos formulados naturalmente”, sem consciência plena do que estão utilizando.
Não existe remédio milagroso para emagrecer
Posso dizer que, até o momento, não há medicamentos milagrosos para emagrecimento – e mesmo dietas. Todos esses modismos são falsos e ilusórios, com riscos à saúde das mulheres.
Rimonabanto - Recentemente, tivemos a retirada do rimonabanto (conhecido como “antibarriga”), um medicamento novo para emagrecimento que estava aumentando o risco para depressão e suicídio por atuar no SNC em receptores endocanabinóides.
Na prática, pouco ainda se conhece das vias complexas do metabolismo humano e as relações do mesmo com o controle do peso e da saciedade no ser humano.
Vya Estelar – De que forma a sexualidade feminina afeta a saúde mental da mulher?
Prof. Dr. Joel Rennó Jr. – A sexualidade é um indicador da qualidade de vida das mulheres e também de sua saúde, fisica ou mental.



Termômetro - Só há boa sexualidade com psiquismo saudável em um corpo são.



Há algumas doenças clínicas que também interferem na sexualidade, como o hipotireoidismo que pode diminuir o desejo sexual. Alguns medicamentos que as mulheres utilizam também.



O mais comum é que as alterações psicológicas levem à Disfunção Sexual Feminina (DSF). O histórico de vida das mulheres, com antecedentes de violência doméstica e educação rígida interferem também nesse campo.



Historicamente, a mulher sempre foi muito reprimida em sua sexualidade, só mesmo recentemente vem conseguindo expressar os seus desejos mais íntimos na cama, sem correr riscos de ser marginalizada ou rotulada, sem ter conflitos que possam causar um nível de estresse significativo capaz de desencadear quadros de ansiedade e depressão.
A disfunção sexual feminina pode mascarar conflitos internos ou mesmo conjugais da mulher, portanto, nem sempre a questão é simples, como uma queda do nível hormonal.
Sexualidade feminina é mais complexa do que masculina
Cabe ressaltar que a sexualidade feminina é muito mais complexa do que a do homem. No homem, o estímulo visual direto tem uma importância maior, na mulher as percepções e os órgãos do sentido (toque, olfato), além de todo o envolvimento e comprometimento afetivo do parceiro são os maiores estimuladores. Os hormônios sexuais e um conjunto de neurotransmissores libidinosos acompanham os estímulos elétricos que estão na origem da atração erótica.
Portanto, algumas fragilidades psíquicas podem ficar encobertas, inicialmente, por várias DSF. O marido tem um grande papel, ou seja, o tratamento só dá resultados quando todo o casal se envolve. O foco da psicoterapia deve ser amplo, nunca apenas voltado à DSF.
*Hipotireoidismo: 1 insuficiência da atividade fisiológica da glândula tireóide; 2 má condição orgânica resultante dessa diminuição acentuada, caracterizada por baixa taxa metabólica e perda de vitalidade (Fonte: Dicionário Houaiss)
**Senescência: 1 qualidade de senescente; velhice; 2 processo de tornar-se senil; 3 condição do que está próximo de se tornar senil (Fonte: Dicionário Houaiss)






Saiba como prevenir-se do abuso sexual em crianças




Saiba como prevenir-se do abuso sexual em crianças

por Arlete Gavranic

Identifique a ocorrência de abuso - clique aqui



Segundo a ONG Safernet, atualmente são feitas 500 denúncias por dia de exploração da pornografia infantil na Internet. O crime agora virou objeto de CPI criada pelo Senado Federal.
O abuso sexual às crianças acontece na família, principalmente através de pai, padrasto, irmão ou outro parente, e depois pessoas ligadas a esse núcleo.
É importante observá-los, muitas vezes por falta de trabalho ficam muito próximos às crianças. Mas a casa de amigos, vizinhos, professor, padre, pastor podem ser locais onde o abuso pode acontecer.
Nos casos de abuso sexual a criança é forçada fisicamente ou coagida verbalmente a participar da prática sexual sem ter ainda sua capacidade emocional e/ou cognitiva suficientemente desenvolvida para consentir, negar ou julgar o que está acontecendo.


Abuso sexual

O abuso sexual ocorre em todas as classes sociais. E é definido como qualquer conduta sexual que ocorra com uma criança por parte de um adulto ou por outra criança mais velha. Em geral entre 3 e 4 anos mais velha, já se fala em abuso. Pode ocorrer por contato oral-genital (na criança ou no adulto), o esfregar/roçar os genitais do adulto na criança, toques nos genitais da criança ou coerção para que a criança toque os genitais do adulto ou de outra criança mais velha ou adolescente, ou chegar à penetração vaginal ou anal na criança. Mas outras atitudes como mostrar os genitais a uma criança, incitá-la a ver material pornográfico, ou utilizá-la para elaboração de material de natureza pornográfica também é crime.
Assusta ver que pessoas tão próximas possam ser autoras de crimes contra nossas crianças. Mais assustador ainda é sabermos que o número de abusos sexuais em crianças denunciado nas estatísticas, é bem inferior à realidade dos fatos. Isso ocorre pois a maioria desses casos não é conhecida. As crianças têm medo de contar o que aconteceu, pois em geral são ameaçadas por quem abusou e temem - muito - represálias, principalmente se for da família. Elas ficam confusas e temerosas de contar o fato com medo de serem consideradas culpadas.
Há também o medo que a família desintegre-se. Apesar da agressão do abuso, esse núcleo familiar é a única referência de sua vida.
O dano emocional e psicológico resultante dessas experiências tende a ser muito prejudicial à vida emocional e sexual futura. Poderão surgir problemas sérios de comportamento como dificuldade em estabelecer vínculos de confiança e relações estáveis com outras pessoas. Poderão surgir problemas de marginalidade, tornarem-se adultos abusadores e direcionarem-se à prostituição.


Identifique a ocorrência de abuso

- Alterações bruscas no comportamento, no apetite ou no sono;
- Desejo repentino da criança em se manter isolada, evitando contato com amiguinhos e familiares;
- A criança se mostrar agitada, muito incomodada e perturbada quando há possibilidade de ficar no mesmo local com uma determinada pessoa;
- Medo desproporcional frente à necessidade de um exame físico;
- Começar a achar que têm o corpo sujo ou contaminado;
- Interesse excessivo ou evitação no contato com seus genitais;
- Rebeldia, agressividade excessiva;
- Podem chegar a um comportamento suicida ou de automutilação.
Por isso é necessária muita atenção no sentido de protegê-las.

Prevenção

Família e escola precisam ter atitudes preventivas no sentido de evitar ou extirpar a ocorrência de abusos.
Para muitos é estranho ter que falar sobre sexualidade com as crianças, mas é importante saber que não temos que estimular a sexualidade, mas sim ensinar a criança a gostar de seu corpo e aprender a respeitá-lo, cuidando de sua saúde, higiene e evitando acidentes, como por exemplo, não se machucar com objetos cortantes.
Para isso é necessário que a criança tenha um vínculo de confiança com essa pessoa que orienta e saiba que poderá procurá-la para perguntar ou contar algo sem tomar ‘bronca’ ou ser criticada.
Explique à criança que o corpo dela precisa ser cuidado por ela e que ela deve ser cuidadosa e desconfiar se alguém tentar tocá-lo, inclusive as partes íntimas; ou ainda pedir para fazer coisas no seu corpo ou no de outra pessoa, que não seja brincar junto com todo mundo.
É preciso orientar a criança que se afaste dessa pessoa e procure a mãe, irmã mais velha, uma avó ou a professora e conte o que aconteceu. Orientar as crianças para não terem vergonha e se preciso até gritar ou correr em situações em que sintam-se ameaçadas.
Os adultos precisam ser respeitados, mas isso não significa que as crianças tenham que obedecer e fazer tudo que eles mandam. Principalmente se isso envolver tocar, manipular, beijar ou machucar o corpo e se a criança não se sentir bem.
O velho ensinamento de não aceitarem convite por dinheiro, presente ou agrado, de quem conhecem ou não, para fazerem ‘coisas’ com o corpo é fundamental.
É difícil em muitas situações evitar o abuso sexual, devido à proximidade do abusador. Não receie pedir que outros adultos ajudem a olhar as crianças.
Procure conhecer os amigos de seus filhos e suas famílias e também estimule as crianças a não ficarem isoladas, procurando ficar em grupo.








Informações sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida

 

Obesidade causa doença cardiovascular, diabetes, problemas de coluna e muitas outras doenças graves

Estudo publicado na edição online da revista Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, editado pela Endocrine Society, mostra que, já a partir dos sete anos de idade, as crianças obesas podem ter um aumento significativo no risco de desenvolver doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC) no início da fase adulta.
O perigo existiria mesmo na ausência de outros fatores, como a hipertensão arterial.
O objetivo do estudo é verificar se a obesidade aumenta o risco de doença cardiovascular mesmo antes do início da síndrome metabólica, caracterizada pela soma de fatores como baixo HDL (colesterol bom), triglicérides alto, pressão alta e glicemia elevada. Por isso, as crianças e os adolescentes submetidos à pesquisa apresentavam níveis normais nesses indicadores.
Para os pesquisadores, os resultados desse estudo indicariam a necessidade de se reconsiderar a prática muitas vezes adotada pelos médicos de tratar a obesidade em crianças somente quando estas apresentam outras características da síndrome metabólica. O excesso de peso em crianças deveria merecer, portanto, uma intervenção terapêutica mesmo na ausência de outros fatores de risco.
“Desnutrição e obesidade podem parecer que estão em sentido oposto, no entanto, obesidade é um tipo de desnutrição. As pessoas confundem obesidade com saúde quando, na verdade, o obeso pode estar muito mais doente que o desnutrido. Obesidade causa doença cardiovascular, diabetes, problemas de coluna e muitas outras doenças graves”, explica o Dr. Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo do HCor – Hospital do Coração.
Segundo o cardiologista, cabe aos pais elaborar um cardápio rico em nutrientes com alimentos saudáveis e refeições em horas certas e sem exageros. É importante iniciar a formação de hábitos alimentares assim que as crianças são apresentadas aos alimentos, ou seja, assim que abandona o leite materno.
“Altere o cardápio a cada refeição, mas não apresente todas as novidades de alimentos de uma só vez. Varie a seleção de carboidratos, que dá a energia para as crianças nas atividades diárias, as proteínas, que são essenciais para o crescimento e desenvolvimento dos pequenos e os alimentos ricos em fibras, vitaminas e minerais, responsáveis pela manutenção e o bom funcionamento do corpo”, alerta Magnoni.
Todos os alimentos têm igual peso, ou seja, não há alimento mais importante que o outro nessa fase. O ideal é montar uma pirâmide de alimentos e abrir algumas exceções ao longo da semana. “Escolha um dia da semana para a criança se divertir nas guloseimas, mas sem exagero, pois com o excesso de doces e frituras com o tempo ela pode apresentar doenças como obesidade”, salienta.


Dicas: alimentação saudável para as crianças
A dica do nutrológo é que os pais abusem da criatividade e introduza aos pratos infantis alimentos coloridos para chamar a atenção das crianças. Uma sugestão é decorar as refeições, para atraí-las. Abaixo algumas propostas que podem seduzir os olhos e fazer muito bem ao corpo na fase do desenvolvimento:
· Preferir carnes magras à vermelhas;
· Insira ao café da manhã iogurte, fibras - para auxiliar na digestão, e frutas;
· Substitua sobremesas calóricas e com muito açúcar, por frutas decoradas, ou gelatinas;
· Evite os refrigerantes, prefira os sucos naturais;
· Escolha um dia da semana para liberar as guloseimas;
· Não insista para que a criança coma, ela procurará o alimento oferecido quando sentir fome;
· Varie o cardápio, mas administre bem as novidades;
· Seguir uma ordem de horário para as refeições e os lanches intermediários;
· Usar a criatividade ao preparar os pratos, abuse dos legumes, para ter um prato colorido e das formas dos lanches para atrair a atenção.








Organização britânica propõe cinco atitudes simples que garantem maior qualidade de vida

  
Organização britânica propõe cinco atitudes simples que garantem maior qualidade de vida
Centenas de trabalhos foram reunidos para chegar ao resultado
Um estudo do governo britânico afirma ter identificado cinco atitudes que ajudam a elevar a qualidade de vida. A pesquisa foi divulgada pela The New Economics Foundation (NEF), organização dedicada a desenvolver estudos sobre o tema.
Ter tempo para dedicar-se às pessoas, para desenvolver atividades físicas e de lazer, para perceber as mudanças ao redor, continuar aprendendo e para ajudar ao próximo são os componentes básico para uma vida feliz e plena, afirmam os especialistas. Para chegar ao resultado, os pesquisadores se basearam em ítens como felicidade, contentamento, prazer, curiosidade e engajamento.





Enquete: qual desses itens você considera que precisa valorizar mais em sua vida?
Ao todo, foram examinados centenas de trabalhos de cientistas de todo o mundo em 2008.Com os dados da pesquisa em mãos, o objetivo é que se possa nortear políticas públicas não só na Inglaterra como no mundo inteiro.
Os cinco pontos propostos pelos pesquisadores fazem referência a pequenas atitudes e formas de pensar que cada indivíduo pode seguir para ter uma maior realização pessoal.



Confira as propostas da NEF para melhorar a sua qualidade de vida:

Conecte-se:

Com as pessoas à sua volta. Com sua família, amigos, colegas e vizinhos. Em casa, trabalho, escola ou em sua comunidade local. Pense nisso as pedras fundamentais de sua vida e invista tempo no seu desenvolvimento. A construção destas conexões servirá de apoio e vai enriquecer você todos os dias.


Seja ativo:

Caminhe ou corra. Saia à rua. Pedale. Jogue um jogo. Dedique-se à jardinagem. Dance. Exercícios farão você se sentir bem. Mais importante ainda, descubra uma atividade física que você goste, uma que se encaixe nas suas possibilidades motoras e físicas.


Perceba:

Seja curioso. Enxergue a beleza. Note o inusitado. Observe a mudança das estações. Saboreie o momento, se você está em um trem, almoçando ou conversando com amigos. Esteja ciente do mundo ao seu redor e o que você está sentindo. Refletir sobre suas experiências vai ajudá-lo a apreciar o que importa para você.


Continue aprendendo:

Tente algo novo. Redescubra um interesse antigo. Se inscreva para aquele curso que tanto deseja. Assuma umar esponsabilidade diferente no trabalho. Conserte uma bicicleta. Aprenda a tocar um instrumento ou a cozinhar seus alimentos favoritos. Defina um desafio que lhe fará feliz ao alcançar. Aprender novas coisas será divertido e vai torná-lo mais confiante.


Ajudar ao próximo:

Faça algo agradável para um amigo ou para um estranho. Agradeça alguém. Sorria. Voluntarie o seu tempo. Entre para um grupo da comunidade. Olhe para fora, bem como para dentro. Ver a si mesmo, e a sua felicidade, vinculada à de sua comunidade pode ser extremamente gratificante e lhe fará criar conexões com as pessoas ao seu redor.