quarta-feira, 28 de julho de 2010

Projeto Sarau Infantil

Projeto



Sarau infantil


Faixa etária


4 e 5 anos






Conteúdo


Linguagem oral, leitura e escrita






Mais sobre Linguagem Oral






Reportagens






Linguagem oral com poesias


O que não pode faltar na pré-escola


Coletânea de cantigas de roda


As primeiras leituras na pré-escola


Planos de aula






Roda de conversa


Linguagem oral e escrita


Livros sobre os dinossauros


Vídeos






Pedro Bandeira lê "Mais respeito, eu sou criança!"


Ricardo Azevedo lê o poema "Bola de Gude"


Objetivos


- Ampliar o repertório de poesias conhecidas pela turma.


- Utilizar a linguagem oral, adequando-a a uma situação comunicativa formal.






Conteúdo


- Comunicação oral.






Anos


Pré-escola.






Tempo estimado


Dois meses.






Material necessário


- Filmadora


- Caixa de papelão


- Aparelho de som


- CD A Arca de Noé - Vols. 1 e 2 (vários intérpretes, Universal Music Brasil, 16 reais)






Livros


- A Arca de Noé (Vinicius de Moraes, 64 págs., Ed. Cia. das Letrinhas, tel. 11/3707-3500, 46,50 reais)


- Poemas Desengonçados (Ricardo Azevedo, 56 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 26,90 reais)


- Mais Respeito, Eu Sou Criança (Pedro Bandeira, 80 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-172-002, 29,50 reais)






Flexibilização


Para ampliar a capacidade de comunicação e expressão de crianças com deficiência auditiva e auxiliá-las a utilizar libras, posicione as crianças em semicírculo no momento da leitura, para que visualizem o educador, os colegas e o intérprete. É importante que todos falem, um de cada vez, para facilitar a compreensão. Apresente os autores por meio de fotos e estimule a criança a declamar, em libras, poemas que já conhece. Você também pode declamar algumas poesias para servir como modelo de leitor. Explique a todos as etapas do projeto e apresente uma nova poesia às crianças a cada dia. Peça à criança surda que observe a expressão facial e os movimentos do corpo do intérprete quando este estiver declamando. Proponha que a criança leve um bilhete para casa pedindo que os pais escrevam uma poesia para ser apresentada aos colegas. Incentive a criança surda a participar da confecção da "caixa mágica" e explique que ali serão colocadas as poesias e os livros utilizados no projeto. Apresente à criança a poesia que ela irá declamar junto com dois ou três colegas. Convidar um surdo adulto para declamar na sala em libras para que a criança tenha outros exemplos também é uma boa alternativa. Filme a criança surda declamando com o seu grupo e num segundo momento retome o vídeo para que juntos possam ver o que precisa ser melhorado. No dia do sarau, é interessante que a poesia que será declamada em libras seja lida para a plateia. Registrar todos os avanços da criança é fundamental.










Desenvolvimento


1ª etapa


Pergunte quais poemas as crianças conhecem e estimule-as a declamar. Convide-as a conhecer outros, mostrando os livros selecionados. Leia em voz alta alguns deles, caprichando na entonação. Compartilhe a ideia de organizar um sarau de poesia e convidar os pais para assistir ao evento. Explique que para isso é preciso conhecer vários poemas e aprender a declamá-los.






2ª etapa


Apresente algumas faixas do CD de poesia musicada para familiarizar a turma com o gênero.






3ª etapa


Leia para os pequenos todos os dias os livros escolhidos para o projeto. Converse com eles sobre as poesias e como se deve declamar, cuidando da entonação e da altura da voz, para que o público compreenda e ouça com clareza o que for dito. Como tarefa de casa, oriente que peçam aos pais para recitar e registrar por escrito poemas e versinhos que apreciem. Use a caixa de papelão para guardar os textos poéticos fornecidos pelos pais, os livros e o CD.






4ª etapa


Leia a poesia Bola de Gude, do livro Poemas Desengonçados, chamando a atenção da turma para a entonação, dicção e altura da sua voz. Proponha que a recitem coletivamente. Repita o procedimento com outros poemas. Use a filmadora para gravar esses momentos.






5ª etapa


Exiba o vídeo para que as crianças possam analisar como estão se saindo e em que precisam melhorar. Ajude-as apontando o que estiver adequado também.






6ª etapa


É hora de selecionar o que será apresentado no sarau. Pergunte às crianças quais são os textos prediletos delas e decidam se as declamações serão feitas individualmente, em duplas, trios ou grupos maiores. Convide as famílias para o evento.






7ª etapa


Ensaie com a turma os poemas. Filme novamente e exponha as imagens para que todos possam se aperfeiçoar.






Produto final


Sarau infantil.






Avaliação


Observe e registre o avanço das crianças no que se refere à apropriação na forma de se expressar em situações de comunicação formal.


O que não pode faltar na pré-escola

1. Brincar







Por que trabalhar Essa é uma fase de ampliação do universo de informações: a mamãe é vendedora, o papai é motorista, o herói preferido voa, o livro de histórias fala de uma princesa bonita e corajosa. O meio de processar e assimilar tantos assuntos - enfim, entender o mundo - é brincar de faz-de-conta. "A complexidade da fantasia criada depende das experiências já vividas. Por isso, é fundamental oferecer ambientes ricos em possibilidades", afirma Zilma Galvão, da USP.










BRINCAR Nessa fase, a turma já compartilha momentos no parque (à esq.) e no faz-de-conta (direita).


Fotos: Leo Drumond/Ag. NitroO que propor As crianças ainda se divertem com os brinquedos de encaixar ou no parque, mas na pré-escola ganham destaque os jogos de regras - que exigem cumprimento de normas, concentração e raciocínio - e, principalmente, os simbólicos, em que se assumem papéis. Elas se apropriam dos elementos da realidade e dão a eles novos significados. Por meio da fantasia, aprendem sobre cultura. Ao dar bronca em uma boneca, por exemplo, os pequenos usam frases ouvidas de diálogos dos adultos, da TV e, em especial, de livros de histórias. A literatura traz elementos ausentes do cotidiano.






A meninada vai se tornando capaz de interagir com as brincadeiras por um tempo maior e considerar que os outros podem participar também. "No faz-de-conta, acontece algo íntimo que não se deve atropelar. O professor contribui com um gesto, uma palavra ou um brinquedo, mas a turma é livre para aceitar ou não", explica Zilma.






Uma boa estratégia para enriquecer o brincar é atrair a garotada para espaços diferenciados, como o canto da casinha, do salão de maquiagem, da mecânica ou da biblioteca. O cenário, por si só, avisa a proposta da brincadeira e pressupõe papéis. Depois, com o tempo, o grupo mesmo produzirá outros.






Esta pré-escola faz Na CMEI Patrícia Galvão, em Guarulhos, na Grande São Paulo, o brincar é encarado como uma situação cotidiana e um direito das crianças. Em todas as salas ficam fantoches, fantasias e cenários para as atividades simbólicas, bastante apreciadas. Quando enjoam, os pequenos vão à brinquedoteca e os trocam por outros. Não são raras as vezes em que a turma de 4 anos se empolga com um livro lido em sala, corre para o canto em que ficam as fantasias e assume o papel dos personagens. Segundo a diretora Djenane Martins Oliveira, para garantir e melhorar as possibilidades de experimentação lúdica, os pequenos têm acesso diário a brinquedos de variados materiais, como tecido, plástico, madeira e espuma. Há também aqueles que não parecem, mas são brinquedos também, como pedrinhas, grama e areia. "Sempre temos à disposição das crianças caixas de papelão, que elas usam para produzir objetos que são incluídos nas atividades por elas mesmas."


2. Linguagem oral



Por que trabalhar No início da pré-escola, coloca-se um importante desafio em linguagem oral: não apenas falar, mas antecipar e planejar o que se quer dizer. "Para que isso aconteça, ou seja, para que a oralidade seja usada cada vez mais e de melhor forma, é preciso trabalhá-la diariamente com base em diferentes temas, contextos e interlocutores", diz Maria Virgínia, da Editora Moderna.










LINGUAGEM ORAL A fala se aprimora em contextos diversos, como na roda de conversa.


Fotos: Leo Drumond/Ag. NitroO que propor A escola deve oferecer um ambiente que estimule a comunicação verbal - não apenas em sala mas também no refeitório, no pátio, na brinquedoteca, nos corredores. Para conversar, ali estão amigos, educadores, merendeiros, porteiros e diretores. Oportunidades tão distintas tornam as situações de fala mais ricas, elaboradas e complexas.






Os momentos são divididos em dois tipos: formais e informais. Os informais são, por exemplo, as rodas de conversa. Nelas, o professor faz uma proposição, por exemplo, a respeito de uma notícia da comunidade ou de algo que será feito depois, como uma receita culinária. Nesse momento, cada um ouve o que os outros têm a dizer, coloca sua opinião e inicia os próprios relatos.






Situações formais são aquelas em que as crianças se dirigem a outros interlocutores que não os próprios colegas de classe, como outra turma, para quem vão contar uma história, ou um adulto a ser entrevistado. Assim, ao longo de toda a pré-escola, são desenvolvidas e aperfeiçoadas competências como a de recontar histórias e elaborar perguntas, declamar poesias e relatar acontecimentos do próprio cotidiano ou de outras pessoas. De acordo com Maria Virgínia, "o resultado é que os pequenos aprendem linguagem e com a linguagem".






Essa competência também é potencializada por meio das brincadeiras com as palavras presentes na tradição oral, nos textos poéticos e nas parlendas, por exemplo - que já contribuem para o aumento do repertório verbal desde a creche.






Esta pré-escola faz São diversas as experiências de desenvolvimento da linguagem oral na UMEI Mangueiras, em Belo Horizonte. Lá, as rodas de conversa sobre o planejamento do dia abrem as atividades, mas outros temas também fazem parte do bate-papo. Na sala ou no pátio, elas recontam histórias e apresentam músicas e dramatizações. "Os mais velhos ajudam no desenvolvimento da linguagem dos menores durante atividades corporais. Eles criam canções e gritos de guerra e os pequenos se juntam a eles, cantando também", conta a vice-diretora, Mônica Freitas Mol de Andrade.







3. Movimento















MOVIMENTO Na pré-escola, as crianças planejam as ações, como onde se apoiar para subir no escorregador. Foto: Marcos RosaPor que trabalhar Na pré-escola, a criança já tem desenvoltura para se comunicar verbalmente. Mesmo assim, o movimento ainda é um meio de expressar o que ela quer. Por isso, eles continuam a ser valorizados na pré-escola. Nessa fase, ela se torna mais ciente de si, conhece mais o corpo e ganha competência para atuar no mundo. "Por isso, é preciso evitar a tendência de deixar atividades desse tipo de lado com turmas a partir dos 4 anos", diz Maria Paula, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.






O que propor Atividades como danças, jogos esportivos e teatro aumentam e fazem evoluir as possibilidades com o corpo. Ações como segurar o talher e o lápis e usar a tesoura se aprimoram, mas não adianta promover "treinos". "As habilidades se consolidam apenas diante das necessidades reais", explica Maria Paula.






Em especial entre os maiores, de 5 e 6 anos, a capacidade de planejar as ações de movimento se amplia. Por isso, atividades ao ar livre, no parque, se tornam mais ricas. Para se divertir num escorregador, as crianças conseguem observar os degraus onde pisar e calcular o que fazer para chegar ao topo e depois deslizar.






Esta pré-escola faz A professora Magda Carvalho Aranda, da CEI Maria do Rosário Bastos, em Poços de Caldas, a 465 quilômetros de Belo Horizonte, propõe jogos corporais para as crianças de 5 anos. Em um deles, elas batem palmas, levam as mãos aos pés e também à cabeça. Após uma seqüência simples, a turma combina movimentos mais elaborados, como levantar a mão esquerda e se manter apenas sobre o pé direito, favorecendo o equilíbrio. A mesma atividade pode se tornar mais divertida se acompanhada de música com ritmos cada vez mais rápidos. Outra brincadeira que os pequenos curtem é a da maria-fumaça. "Conforme o ritmo de um chocalho acelera, o corpo entra no embalo, com movimentos de braços e pernas", explica Magda.


4. Arte



Por que trabalhar As experiências desenvolvidas em música e artes plásticas, de acordo com Silvana, do Avisa Lá, têm papel primordial na formação do pensamento simbólico. "Ambas exercem forte influência no desenvolvimento da criatividade e da imaginação." Nessa fase, as duas linguagens já são trabalhadas de forma separada.










ARTE O desenho, feito com materiais como o carvão (direita), e a colagem com lã (à esq.) se aprimoram.


Fotos: Marcelo RudiniO que propor É essencial ampliar o repertório de canções, promover o contato com instrumentos variados e explorar os sons da natureza e dos feitos com o corpo, além do silêncio. O bom projeto é o que permite conhecer e criar.






Em artes visuais, é importante apresentar obras de pintores famosos - para ampliar o repertório e trazer riqueza ao trabalho dos pequenos -, mas não como pretexto para propor cópias. Nessa fase, o ideal é desenvolver cada vez mais o desenho e a pintura, em atividades diárias. Não é necessário usar grande variedade de materiais.






Esta pré-escola faz Nas salas de préescola do CMEI Dr. Arnaldo Carnasciali, em Curitiba, sempre há nas paredes uma pintura, gravura ou fotografia para ampliar o repertório dos pequenos. Durante um projeto sobre identidade, as turmas fizeram retratos. Olhando no espelho, cada um produziu o seu, usando lã e barbante para compor os cabelos, por exemplo. Todos desenharam também o amigo, aprimorando a percepção sobre o outro.






A experimentação musical inclui a exploração de estilos diferentes, como cantigas de roda, músicas clássicas e canções do folclore brasileiro. "Essas situações ampliam o repertório, favorecem a concentração e permitem o desenvolvimento de habilidades como o ritmo", diz a diretora, Vanessa de Sousa Martinez.




5. Leitura e escrita



Por que trabalhar É um adulto leitor que mostra às crianças o significado da escrita que está nos livros. Ao escutar uma história, as turmas entram na narrativa e compartilham as sensações dos personagens. "É hora de ampliar o repertório e dar maior organização ao pensamento", diz Débora Rana, coordenadora pedagógica de Educação Infantil da Escola Projeto Vida, na capital paulista.










LEITURA E ESCRITA Conhecer os gêneros (direita) é o melhor meio de entrar no mundo dos textos (à esq.).


Fotos: Leo Drumond/Ag. NitroO que propor Durante as rodas de histórias, o grupo é capaz de escolher os livros prediletos, acompanhar a obra de um autor, opinar e fazer relatos. Quanto maior a variedade de gêneros, melhor: contos, poesias, parlendas, quadrinhas, gibis, lendas, fábulas, bilhetes, crônicas, textos informativos e instrucionais.






A leitura diária de diferentes gêneros pelo professor aumenta cada vez mais a curiosidade e o conhecimento sobre a linguagem escrita. "Aos 4 anos, já é possível recontar textos e aos 5 produzir as próprias histórias, ditando o texto a um escriba", afirma Débora.






Esta pré-escola faz Na Creche Conveniada Lírios do Campo, em São José dos Campos, a 97 quilômetros de São Paulo, a pré-escola tem acesso a textos de diferentes gêneros, desenvolve atividades de reconto de histórias, leva livros para casa nos fins de semana, cria poesias e é estimulada a escrever. Mesmo durante as brincadeiras, surgem oportunidades de enriquecer a escrita. "Quando inauguramos o canto do cabeleireiro, visitamos um salão de beleza. Depois, foi produzido um texto sobre o encontro com os profissionais e elaborada uma tabela de preços", relata a coordenadora pedagógica Ana Lúcia Rodrigues da Silva Ferreira.




3 perguntas Lino de Macedo











Lino de Macedo


Foto: Karine BasilioProfessor do Instituto de Psicologia da USP fala sobre o desenvolvimento dos 4 aos 6 anos.






Como se caracteriza o pensamento da criança pré-escolar?


Ele é principalmente substitutivo e imitativo. Substitutivo porque ela descobre que objetos, pessoas e ações podem ser trocados ou evocados por outros. Imitativo porque ela entra no universo da ficção: imagina e faz correspondências.






De que maneira o faz-de-conta desenvolve as linguagens?


No faz-de-conta, a criança realiza um esforço de tradução. Ela não é velha, mas representa esse papel no jogo simbólico. Também não é um bicho, mas pode imitá-lo. Esse fingimento aumenta o repertório das diversas linguagens, como o desenho, a fala, a música e a dança.






Como aproveitar a capacidade de representação?


A criança descobre simbolicamente a importância do adulto em sua vida e as diferenças entre ambos. Isso ocorre, por exemplo, quando ela faz de conta que é mãe e repreende o fi lho. Cabe ao professor, portanto, possibilitar que ela entenda essa assimetria e, ainda que intuitivamente, o valor do adulto.


















Linguagem oral com poesias


"Poesia é descoberta das coisas que eu nunca vi." A definição do escritor brasileiro Oswald de Andrade (1890-1954) se encaixa perfeitamente no que os textos do gênero podem representar para os pequenos que estão descobrindo as possibilidades da linguagem e da oralidade. Organizar frequentemente leitura de versos em voz alta para os alunos e ensiná-los a recitar é uma maneira de propiciar a ampliação do universo discursivo deles (leia o projeto didático). "A poesia tem características, como a musicalidade e a rima, que despertam o interesse das crianças pelas palavras, mesmo que elas ainda não saibam escrevê-las", diz Adriana Sobhie, diretora de orientação educacional da Secretaria de Educação de Tupã, a 514 quilômetros de São Paulo.
O contato estabelecido pelos alunos com o material poético pode ocorrer desde cedo: eles se relacionam com poemas ao se movimentar no ritmo de uma canção, por exemplo. Afinal, um poema acompanhado de instrumentos é música. E eles mesmos têm seus momentos poéticos, quando brincam de rimar com elementos do cotidiano, como "O pincel caiu em cima do pastel cheio de mel".
Mas isso não quer dizer que um trabalho bem feito na Educação Infantil possa dispensar muita pesquisa e estudo.
O primeiro passo é definir o que vai ser lido. As escolhas têm de despertar a curiosidade das crianças pela sonoridade, entre outras coisas. "Não faz sentido descartar textos que apresentem termos difíceis de serem pronunciados ou priorizar produções que não despertam o interesse da turma pelo contexto só porque são consideradas clássicas", diz Renata de Souza, coordenadora do Centro de Estudos em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil Maria Betty Coelho Silva (CELLIJ), da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Presidente Prudente. As educadoras da EMEIF Nossa Senhora de Fátima, em Tupã, por exemplo, escolheram Bola de Gude, do poeta brasileiro Ricardo Azevedo, que conta a opinião de um menino sobre bolas e, em especial, da que dá nome ao poema (assista ao vídeo em que Ricardo Azevedo declamando este poema).
Outro ponto importante é a dedicação aos textos antes de apresentá-los ao grupo. Leia o material várias vezes para compreender o tema e ensaie a leitura em voz alta, conferindo ritmo e entonação. Isso contribui para você ser encarado como um bom modelo de declamador.
Para desenvolver a oralidade, também vale usar as adivinhas, como "O que é, o que é, quanto mais curto for, mais rápido é?" (o tempo). Breves e simples, são de fácil memorização. Parlendas, como "amanhã é domingo, pede cachimbo...", costumam apresentar frases na ordem direta, o que facilita a repetição também. Já os trava-línguas são interessantes por serem complicados: os pequenos não resistem ao desafio de dizer, por exemplo, "O rato rasgou a roupa do rei de Roma" corretamente e, à medida que vão acertando, acelerarem o ritmo da pronúncia.

Reportagem sugerida por 1 leitor: Sergio Vale da Paixão, Quatiguá, PR




terça-feira, 27 de julho de 2010

Reveses da comunicação

 
 
Reveses da comunicação
por Angelina Garcia

"Algumas pessoas tomam, com frequência, como crítica pessoal, aspectos do comportamento humano rejeitados pelo senso comum, os quais, em conversa descontraída, alguém levanta simplesmente a título de observação ou de questionamento próprio"
Reclamamos, muitas vezes, da dificuldade em se entabular um diálogo com determinadas pessoas, pois tudo o que dizemos é mal compreendido, podendo desencadear ásperas discussões ou até rompimentos. Quanto mais tentamos nos explicar, maior a confusão.
A comunicação não ocorre de modo direto, como às vezes se supõe; ou seja, de um lado um emissor, de outro um receptor, bastando uma língua comum para que a mensagem seja decodificada. Além da língua, várias outras condições estão implicadas na produção de sentidos entre interlocutores.
Assim sendo, recebo e interpreto a fala do outro a partir não só de conhecimentos partilhados, ou da minha posição ideológica, ou da memória racional de outros sentidos despertados daquele dizer. Entram também as sensações guardadas, relativas às condições psíquicas e emocionais do indivíduo, que são mobilizadas pelo que o outro diz.
Algumas pessoas tomam, com frequência, como crítica pessoal, aspectos do comportamento humano rejeitados pelo senso comum, os quais, em conversa descontraída, alguém levanta simplesmente a título de observação ou de questionamento próprio. O que levaria uma pessoa a se sentir alvo constante do olhar alheio? O que a faz pensar que tudo o que o outro diz de negativo quer se referir ela?
Se por um lado encontramos a insegurança; por outro, ou pelo mesmo, observa-se certo egocentrismo nesse comportamento.
A insegurança resulte talvez de uma história do sujeito marcada por rejeições do seu ciclo familiar e outros, pautadas na idéia de certo e errado e, consequentemente, pelo pecado e culpa, os quais contribuíram para minar sua autoestima. Desse modo, ele espera sempre que pessoas à sua volta continuem observando o que, a seu ver, ele tem de pior. Mesmo quando a fala do outro não lhe é dirigida diretamente, ele produz sentidos dentro dessa sua condição de inseguro.
É pela insegurança, também, que esse sujeito se encontra centrado em si, como se precisasse, o tempo todo, defender-se de alguma acusação. Dentro desse quadro, ele oferece poucas possibilidades de troca; a comunicação fica truncada, pois cada vez que se sente atingido durante o diálogo, ele o interrompe para se defender, justificar-se, ou, no mínimo, certificar-se se o outro está ou não se referindo a ele. E, assim, não é possível aprofundar ou ampliar a conversa.






Liberte-se da baixa autoestima


  
Liberte-se da baixa autoestima

por Emilce Shrividya Starling

"... a mente negativa está presa dentro de seus próprios pensamentos errôneos. Julga e duvida de tudo. Imagina medos e fantasias. Alimenta culpa, cobranças e o ódio de si mesma" A meta do Yoga é entrar em contato com a divindade que habita em nosso interior. É permitir que o Ser interior se expresse em nossos pensamentos, palavras e ações, experimentando entusiasmo em tudo que fazemos.

É acordar de manhã, com o coração agradecido, sentindo-se restaurado. É fazer seus deveres sentindo-se contente e apreciar a beleza da vida. É aceitar o momento presente, abandonar o que o constrange, aprender com as dificuldades.

A Filosofia do Yoga nos ensina a ancorar na percepção que a Consciência divina que habita em nosso interior , em todos os seres viventes, em toda a natureza. E, verdadeiramente, a meta é experimentar a própria divindade interior.

Ao ter essa experiência do Ser, através da devoção, do canto dos mantras, da meditação, do relaxamento profundo, podemos sentir nossa própria grandeza. Podemos sentir o amor dentro e fora de nós. Podemos reconhecer nosso próprio valor e descobrir o valor dos outros.

Apesar dessa grandeza divina existir em todos nós, algumas pessoas se acham indignas e pecadoras. Sentem rejeição por si mesmas. Elas só veem seus defeitos e até inventam defeitos que não têm. Não acreditam que podem vencer na vida, não têm autoconfiança. Não acreditam no amor ou na felicidade.

Sentir essa raiva e rejeição por si mesmo tira o entusiasmo, gera depressão, frustração e ansiedade. É ser comandado pelo ego negativo que é o adversário da bondade.

Contemple: Como alguém pode sentir alegria sentindo raiva de si mesmo? Como pode sentir entusiasmo se não se aceita, se não gosta de si mesmo? Como se sente uma pessoa que se detesta, que menospreza seus esforços, que conversa consigo mesma sempre se criticando? Como fica o estado da mente de quem se desvaloriza, que acha que sempre realiza menos que os outros?

Com certeza, quem sente isso se maltrata, se diminui e permite que o ego negativo o domine. Esse é um estado mental deplorável de alguém muito egoísta, que apenas se volta para si mesmo. Sente-se vitima. E, fica tão absorvido em si mesmo que esquece dos outros. É uma forma de dizer: “Quero toda a atenção. Me ajude!”

Essa aversão a si mesmo torna-se tão enraizada que a pessoa se identifica com cada negatividade que surge na mente e pensa: “Sou tão ruim.Não mereço nada de bom. Não gosto de mim. Sou pecador. Ninguém pode gostar de mim, pois não sou bom.” E, assim, nega sua verdadeira natureza divina, nega seu próprio valor.

Para entender e assimilar melhor os ensinamentos, o yoga nos conta sábias histórias.

Hoje, vamos contemplar um conto sobre a mente, sobre o ego e suas criações negativas:

Certa vez, um anjo veio visitar a Terra e chegou até uma enorme floresta. Lá ele encontrou uma criatura com mil braços e pernas, e cada parte do seu corpo se movimentava constantemente. Ela não parava quieta nem por um momento.

Em uma de suas mãos carregava uma clava coberta de pregos e se batia com isso repetidamente. A cada golpe que dava a si mesma, ela chorava de dor e pânico, dizendo: “Não me bata. Por favor, não me bata novamente.”

Tentando evitar os golpes que recebia de sua própria mão, ela corria de um lado para o outro. Estava com tanto medo e pânico que nem prestou atenção onde andava e caiu em um poço profundo.

Foi bem difícil sair desse poço. Ela demorou muito tempo para escalar as paredes do poço. E, quando conseguiu, se sentou completamente ofegante e cansada. Porém, logo que ela se recuperou, ficou de pé e recomeçou a se bater com sua própria mão, com sua própria arma.

Desesperada, correu para a um denso espinheiro. Quando saiu de lá, estava sangrando, arranhada e coberta de espinhos.

Logo depois, se refugiou em um lindo pomar, onde havia passarinhos, flores bonitas e frutos deliciosos. Mas, ela não notou a beleza desse lugar. Estava tão apavorada, com ódio de si mesma, que se sentou e continuou gritando e se batendo.

O anjo, sentindo muita compaixão, tentou ajudá-la, dizendo: “Fique tranquila. Relaxe. Apenas respire e se acalme. Por que você está se machucando assim? Por que você está sendo violenta com você ? De quem você está fugindo?” Aonde você está indo?”

Ela porém não podia ouvir as palavras gentis do anjo celestial. Não podia ver seu bondoso sorriso e nem sentir seu toque suave. Não podia sentir sua bondade e sabedoria. E até pensou que esse ser de luz fosse seu inimigo. Assim, ela gritou:

-Afaste-se de mim! Não quero ouvir seus conselhos!

De fato, ela não queria melhorar, não queria deixar de sofrer. A expectativa de deixar aquela floresta escura da autodepreciação e crueldade no qual ela vivia, era impensável para ela.

Gostava de ser vítima, e pensava: “Coitadinha de mim, sofro mais do que qualquer pessoa. Oh! pobre de mim. Por que isso está acontecendo comigo?”

Um sábio, que meditava perto dali, saiu da meditação e disse ao anjo:

- Ouça. Este é o planeta Terra. Isso é o *samsara, o mundo do nascimento e morte. Esta criatura que você tentou ajudar é a mente com suas incontáveis criações. A mente imagina e cria tudo, e depois se pune com suas próprias tendências. Esses mil braços e pernas são as tendências da mente.

O anjo compreendeu, acenou gentilmente com a cabeça, e foi embora. "

Esse conto mostra como a mente negativa está presa dentro de seus próprios pensamentos errôneos. Julga e duvida de tudo. Imagina medos e fantasias. Alimenta culpa, cobranças e o ódio de si mesma.

Há muita sabedoria nesse conto que nos faz refletir o que fazemos conosco quando cultivamos padrões mentais negativos, quando não nos aceitamos, quando nos rejeitamos.

Se alimentarmos essa aversão a nós mesmos, brigando conosco, nos culpando, nos criticando e punindo, é como se batêssemos em nós mesmos, sem a menor complacência ou bondade.

Entenda que essa aversão por si mesmo apenas leva você para a escuridão dentro de você. Essa autodepreciação cria a baixa autoestima. Mas, essa não é a sua única escolha.

Você precisa quebrar as correntes da autodepreciação, elo por elo. Pare de se criticar. Não se diminua e nem permita que alguém diminua você. Pare de se bater com suas crenças negativas. Não seja seu inimigo.

Os antídotos para o veneno mental da baixa autoestima são: a gratidão e o autoconhecimento.

Ao agradecer a você mesmo, você começa a ter autoconfiança e se liberta dessa opressão interna negativa. Ao começar a agradecer ao que faz, começa a se valorizar e vai descobrindo suas qualidades, seus talentos, confiando mais em você.

Ao sentir gratidão por você, por todos e por tudo, surge um sentimento de contentamento, curando você com o bálsamo da serenidade e aceitação.

Goste de você e se aceite, como verdadeiramente você é, sem críticas e julgamentos. Seja seu melhor amigo. Namastê! Deus em mim saúda Deus em você! Fique em paz!

*Samsara, o termo sânscrito e páli para "movimento contínuo" ou "fluxo contínuo" refere-se no yoga ao conceito de nascimento, velhice, decreptude e morte, no qual todos os seres no universo participam e do qual só se pode escapar através da iluminação. O samsara é a roda das encarnações, a vida e a morte, e somente saíremos dessa roda de vidas e de sofrimento, de maya (ilusão), através da iluminação.








Quais são os principais fatores que afetam a saúde mental da mulher?



Quais são os principais fatores que afetam a saúde mental da mulher?
por Joel Rennó Jr.

Em seu primeiro livro Mentes Femininas - A saúde mental ao    alcance da mulher - clique aqui - o senhor enfatiza que em psiquiatria é essencial a importância da prática clínica. Com base nessa sua larga experiência, quais são os principais fatores que afetam a saúde mental da mulher?
Resposta: Sem dúvida, além do conhecimento científico, a prática clínica do médico é que dá a oportunidade ao profissional para que ele conduza bem a realização do diagnóstico psiquiátrico correto bem como a terapêutica eficaz.

Fatores prejudicias à saúde mental da mulher Personalidade; antecedentes pessoais e familiares de transtornos mentais (como depressão), aspectos genéticos; estresse; uso abusivo de drogas (ex: anfetaminas utilizadas para emagrecimento), abuso físico e sexual; aspectos biológicos, psicossociais e culturais Respeito muito as neurociências, composta por profissionais de diferentes áreas de conhecimento. Mas, daí, muitos neurocientistas com formação em biologia, podem reduzir o espectro comportamental humano apenas a alterações estruturais e funcionais do Sistema Nervoso Central (SNC), o que leva a erros, já que alguns desses neurocientistas nunca atenderam a nenhum paciente.

A integração entre as pesquisas do SNC e a experiência clínica é fundamental quando analisamos o comportamento humano, envolvendo aspectos biológicos, mas psicossociais e até culturais, todos complexos e interagindo entre eles.
Saúde mental sofre influência da personalidade

A saúde mental da mulher pode sofrer influências da personalidade individual dessa mulher em questão, de antecedentes pessoais e familiares de transtornos mentais (como depressão), de aspectos genéticos, de diferentes vulnerabilidades ao estresse e também de influências de sua cultura modelada pelo meio social no qual esta mulher está inserida. Nunca podemos deixar de pesquisar o histórico de negligência, uso abusivo de drogas (por exemplo as anfetaminas utilizadas para emagrecimento), abuso físico e sexual na infância e adolescência.

A análise da psicopatologia e do meio em que esta mulher está inserida só pode ser adequadamente avaliada por profissionais das áreas de psicologia e psiquiatria (médico). É assim que eu penso, não somos frutos apenas de nosso cérebro estrutural.


É normal sentir depressão?

 
É normal sentir depressão?
por Joel Rennó Jr.

Depressão é um dos distúrbios mentais que mais causam sofrimento
Resposta: Em psiquiatria, falar em maior ou menor grau de sofrimento de um determinado transtorno mental é complexo. Inúmeros fatores e diferentes níveis de prejuízos ou incapacitações estão envolvidos. Porém, sem dúvida, a depressão é um dos transtornos mentais que mais causam sofrimento tanto aos pacientes quanto aos familiares. Até porque a sua prevalência também é alta

Há vários fatores significativos que podem levar ao sofrimento do paciente deprimido:

1º) Muitos quadros clínicos de transtorno depressivo maior são recorrentes, têm curso crônico, e acabam, infelizmente, sendo subtratados ou mal diagnosticados. Há muito abandono de medicação por falta de conhecimento ou orientação. Com isso, os prejuízos sóciofuncionais, ou seja, a incapacitação gerada em diversos níveis de atividades e interações profissionais e familiares é significativa.
2º) A pessoa perde, quando deprimida, o prazer por quaisquer atividades interessantes ou cotidianas de sua vida (a psiquiatria denomina anedonia), isola-se, sofre rejeição e é sempre "rotulada" ou estigmatizada como alguém "fraco", "pavio curto", "sem fé", "acomodado" o que aumenta mais intensamente a culpa enorme que o deprimido já sente.
Ninguém é imune à depressão por toda a vida. Sentir tristeza é normal, mas sentir depressão não A sociedade precisa saber formas construtivas e saudáveis de lidar e ajudar uma pessoa com depressão, incentivando-a ao tratamento correto ao invés de julgá-la ou condená-la. Pode ocorrer com qualquer um de nós, em um momento variável de nossas vidas. Ninguém é imune a ela por toda a vida, mesmo os considerados "normais" podem ter o quadro clínico de depressão em um determinado momento.
3º) O sofrimento pode ser aumentado devido a *comorbidades comuns (principalmente em mulheres), ou seja, associação com outros transtornos mentais como alcoolismo e uso de outras drogas e transtornos de ansiedade (pânico, fobias, ansiedade generalizada, etc). A magnitude da depressão é aumentada perante tais comorbidades.
4º) Depressão não tratada adequadamente traz graves prejuízos sócioeconômicos (desemprego, perda de amigos com isolamento, queda financeira) e declínio significativo da saúde física (piora o curso de diabete, doenças cardiológicas e várias outras doenças, inclusive as crônico-degenerativas).
Sentir tristeza é normal, porém, sentir depressão não. É fundamental as pessoas sempre aprenderem a fazer a diferenciação, orientando-se sobre os critérios diagnósticos da depressão que é um transtorno mental que requer tratamento medicamentoso e psicoterápico associados. Grupos como a ABRATA (www.abrata.org.br ) são fundamentais também.

*Comorbidade: o termo é formado pelo prefixo latino "cum", que significa contiguidade, correlação, companhia, e pela palavra morbidade, que é a capacidade de produzir doença